A rejeição do Senado à indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pegou o governo de surpresa e reacendeu um velho discurso entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: o de que o Congresso Nacional é inimigo do povo. A avaliação, feita por integrantes da base governista, é de que a militância e lideranças políticas devem usar essa narrativa para criticar a decisão dos senadores, especialmente nas redes sociais e em possíveis manifestações de rua.
Articulação de Alcolumbre
O resultado da votação foi atribuído por membros do governo à articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que teria pedido votos contra Messias a seus pares. A derrota foi considerada um revés significativo, e há a leitura de que é necessário dar uma resposta aos senadores, sobretudo à cúpula do Congresso. Uma das possibilidades em estudo é a demissão de nomes indicados por Alcolumbre em cargos do Executivo, mas alguns conselheiros de Lula pregam cautela, pois há outras votações prioritárias que precisarão passar pelo Senado nos próximos meses.
Ofensiva nas redes e nas ruas
A expectativa entre aliados é que a tese do Congresso inimigo do povo seja resgatada como forma de pressão política. A estratégia inclui ações coordenadas nas redes sociais e a mobilização de apoiadores em manifestações públicas. O governo avalia que o episódio pode fortalecer o discurso de que o Legislativo age contra os interesses populares, especialmente em um momento de tensão entre os Poderes.
Enquanto isso, a base aliada busca reorganizar-se para evitar novas derrotas em pautas importantes. A rejeição a Messias, no entanto, já é vista como um alerta para a necessidade de maior articulação política e de uma resposta firme à oposição no Senado.



