O regime iraniano enfrenta um dos momentos mais críticos de sua história, com protestos massivos nas ruas e a sombra de uma possível intervenção internacional comandada por Donald Trump. A pergunta que paira no ar é se a cúpula do país, liderada pelo aiatolá Ali Khamenei, seguirá o caminho do exílio, da guerra civil ou de uma acomodação forçada.
Lições do Passado: do Xá Pahlavi a Nicolás Maduro
A história recente oferece exemplos sombrios para líderes autoritários em crise. Em 16 de janeiro de 1979, após meses de manifestações populares, o xá Mohammad Reza Pahlavi fugiu do Irã, marcando o fim de sua dinastia. Khamenei já declarou que isso nunca acontecerá com ele, mas a história costuma se repetir de formas imprevisíveis.
Um capítulo mais recente e igualmente dramático foi a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Segundo reportagem do Washington Post, Maduro recebeu propostas "generosas" de exílio, incluindo uma intermediada pelo empresário brasileiro Joesley Batista antes do Natal de 2025. A oferta envolvia acesso americano a terras raras e petróleo, ruptura com Cuba e um exílio negociado na Turquia.
Maduro recusou, acreditando que poderia controlar a situação até as eleições legislativas nos EUA. Sua aposta falhou. Em 2 de janeiro de 2026, uma operação militar americana durou quatro horas e resultou em sua captura. Ele agora aguarda julgamento numa penitenciária do Brooklyn.
O Fator Trump e a Possibilidade de Intervenção
Uma grande incógnita no cenário iraniano é a ação do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prometeu "ajudar" os manifestantes. Sua atuação na Venezuela, onde orquestrou uma mudança de regime sem uma mudança formal inicial, mostra que suas ameaças não são meramente retóricas.
Especialistas especulam sobre possíveis ações contra o Irã, que vão desde bombardeios localizados em instalações nucleares até ataques cibernéticos para cortar comunicações das forças repressivas. A imprevisibilidade de Trump é, por si só, uma arma.
A Missão Religiosa e a Determinação de Khamenei
Diferente de outros ditadores, Ali Khamenei, de 86 anos, vê sua posição através de uma lente religiosa. Como Líder Supremo, ele acredita cumprir a vontade de Alá na Terra. É um homem que sobreviveu a um câncer de próstata e a um atentado à bomba que o deixou sem o uso do braço direito. Sua visão de uma guerra santa o torna um adversário fanático e determinado.
Enquanto isso, nas ruas do Irã, uma enorme massa de cidadãos revoltados desafia a repressão. Cerca de 500 pessoas já foram mortas, mas os protestos continuam, com um tom triunfal e cenas de dança coletiva que furaram o bloqueio da internet. O povo não parece disposto a aceitar migalhas econômicas do presidente Masou Pezeshkian.
O Futuro: Exílio, Guerra ou Queda?
O destino final de Khamenei e seu círculo de poder depende crucialmente da lealdade das forças de segurança, especialmente a Guarda Revolucionária. Os manifestantes já apelam publicamente para que os militares "venham para o nosso lado". Se essa adesão acontecer, como ocorreu em 1979, o regime pode desmoronar rapidamente.
Uma rota de fuga existe: a Rússia de Vladimir Putin. Khamenei simpatiza com o estilo autocrático do líder russo. O modelo seria o do sírio Bashar Al-Assad, que vive exilado em Moscou com sua família. No entanto, é um exílio gélido e incerto, longe dos luxos da Riviera Francesa que acolheu ditadores em décadas passadas.
O tempo das narrativas construídas, como sugeriu o presidente Lula a Maduro, parece ter acabado no Irã. Vive-se agora um processo de desconstrução violenta do regime, onde parentes procuram corpos de vítimas em sacos plásticos do lado de fora de necrotérios superlotados. A contagem regressiva para o desfecho dessa crise histórica já começou.