Febraban cobra ajuste fiscal de Lula e reformas para corte de juros
Bancos cobram ajuste fiscal do governo para queda da Selic

O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, enviou um recado claro ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em declarações feitas no dia 12 de janeiro de 2026, o executivo cobrou um compromisso firme com o ajuste fiscal e a continuidade da agenda de reformas econômicas. Segundo ele, essas são condições fundamentais para que o país possa iniciar um ciclo sustentável de redução da taxa básica de juros, a Selic.

Autonomia do BC e inflação controlada são pilares

Ao comentar os dados da inflação, que fecharam o ano de 2025 dentro da meta estabelecida pelo governo e perseguida pelo Banco Central, Sidney celebrou a atuação da autoridade monetária. Ele destacou que reconhecer o mérito do BC no controle dos preços, um processo que ainda segue em curso, não significa aprovar uma Selic no patamar de 15,0% ao ano.

"Bancos não precisam e não dependem de juros altos para alcançar rentabilidade", afirmou o presidente da Febraban. No entanto, ele foi enfático ao defender que o Brasil necessita de estabilidade, com uma inflação baixa, estável e previsível. Para ele, essa condição depende diretamente da autonomia do Banco Central na condução da política monetária.

"Isso só se faz com um Banco Central técnico e independente, com total autonomia para a condução da Política Monetária, como tem agido o BC brasileiro", disse Sidney. Ele argumentou que é muito sacrificante para qualquer economia operar com juros nos níveis atuais, mas que o sacrifício seria ainda maior se o BC não tivesse autonomia para interromper a trajetória de alta dos preços disseminada no ano anterior.

Ajuste fiscal é caminho para juros mais baixos

O executivo do setor bancário projetou um cenário de continuidade na desaceleração inflacionária para 2026, com uma acomodação gradual da atividade econômica e do mercado de trabalho. Porém, ele deixou claro que a perspectiva de um alívio nos juros está intrinsecamente ligada à responsabilidade nas contas públicas.

"Os indicadores e as expectativas já apontam, inclusive com mais clareza, que a inflação deve continuar desacelerando em 2026", afirmou. "O País precisa continuar determinado e perseverante na agenda de consolidação fiscal e de reformas econômicas, para voltarmos a trabalhar com patamares menos rigorosos de juros, inclusive em uma perspectiva de médio e longo prazo para a economia", concluiu.

O recado ao Planalto

A fala de Isaac Sidney representa um posicionamento oficial do poderoso setor bancário nacional. A mensagem central é que, embora a política monetária restritiva tenha cumprido seu papel no combate à inflação, a política fiscal precisa fazer a sua parte. Sem sinais claros de um controle dos gastos públicos e avanços em reformas estruturais, o espaço para o Banco Central iniciar um ciclo agressivo de cortes da Selic permanece limitado.

O tom é de cobrança, mas também de alinhamento com os objetivos de estabilidade econômica. A Febraban endossa a autonomia do BC e apoia a meta de inflação controlada, mas transfere para o governo federal a responsabilidade de criar as condições macroeconômicas que permitirão, de fato, um juro mais baixo e um crédito mais acessível no futuro.