Em um artigo exclusivo, Tian Min, cônsul-geral da China no Rio de Janeiro, oferece uma análise aprofundada sobre os rumos do 15º Plano Quinquenal e os impactos globais do desenvolvimento chinês. As recentes Duas Sessões, concluídas com sucesso em Beijing, representam um evento crucial na vida política da China, servindo como uma janela vital para a comunidade internacional observar as orientações políticas e o progresso do país.
Desenvolvimento de alta qualidade e estabilidade global
O ano de 2026 marca o início do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), que foi aprovado durante as Duas Sessões. Este plano estabelece 20 indicadores de desenvolvimento em áreas como crescimento econômico, inovação, bem-estar populacional e transição verde, além de definir 16 tarefas estratégicas e 109 grandes projetos. Nos últimos cinco anos, a China alcançou resultados notáveis, com um Produto Interno Bruto ultrapassando 140 trilhões de yuans e um crescimento médio anual de 5,4%.
O volume total de importações e exportações superou 45 trilhões de yuans, posicionando a China entre os dez primeiros no Índice Global de Inovação. Com a otimização contínua da estrutura econômica e o fortalecimento de novos motores de crescimento, a China mantém uma perspectiva positiva de longo prazo, com confiança em alcançar uma meta de crescimento entre 4,5% e 5% ao ano.
Democracia popular e solução de problemas concretos
Tian Min enfatiza que a democracia na China se expressa na solução de problemas reais, não em slogans. As Duas Sessões funcionam como uma plataforma onde o Partido Comunista da China e o governo recolhem opiniões da população, com mais de 5 mil representantes de diversos setores apresentando sugestões ao mais alto órgão deliberativo do Estado.
Em 2025, o Conselho de Estado concluiu a tramitação de milhares de propostas, com taxas de resposta superiores a 95%. Durante a elaboração do 15º Plano Quinquenal, mais de 3,1 milhões de sugestões foram coletadas via internet. O Relatório de Trabalho do Governo de 2026 foca em questões urgentes como emprego, renda, educação e saúde, refletindo a filosofia de governança do Presidente Xi Jinping de responder às demandas do povo.
Abertura de alto nível e cooperação internacional
Em um cenário global marcado por unilateralismo e protecionismo, a China mantém uma postura aberta e inclusiva. O país possui o maior volume de comércio de bens do mundo há anos, com mais de três quartos dos países aderindo à Iniciativa Cinturão e Rota. A China assinou 23 acordos de livre comércio com 30 países e regiões, implementando políticas de isenção de visto para cidadãos de 50 nações.
Durante o 15º Plano Quinquenal, a China ampliará a abertura de alto nível, focando no setor de serviços e em projetos-piloto em áreas como telecomunicações, biotecnologia e hospitais. A marca "Export to China" será desenvolvida para expandir importações e promover um comércio mais equilibrado, beneficiando povos de todos os países através da cooperação na Iniciativa Cinturão e Rota.
Oportunidades para o Brasil e relações bilaterais
Tian Min destaca que o 15º Plano Quinquenal oferece uma "lista de oportunidades" para países como o Brasil, com as relações sino-brasileiras no melhor momento da história. O comércio bilateral cresce de forma estável, com cooperação consolidada em energia, agricultura e infraestrutura, e expansão em setores emergentes como economia digital, verde e inteligência artificial.
A China já implementou isenção de visto para cidadãos brasileiros, e o Brasil anunciou medidas recíprocas, facilitando intercâmbios de pessoal. A parte chinesa está disposta a trabalhar com o Brasil para promover cooperação mutuamente benéfica, elevando as relações bilaterais a novos patamares e abrindo perspectivas promissoras para o futuro.



