A China acusou os Estados Unidos de praticar "bullying" internacional nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026. A declaração veio como resposta a um anúncio do governo do presidente Donald Trump, que afirmou ter persuadido o governo interino da Venezuela a desviar exportações de petróleo, originalmente destinadas a Pequim, para Washington.
Os termos do acordo energético
De acordo com Trump, empresas norte-americanas vão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto que estavam retidos na Venezuela devido ao bloqueio naval imposto pelos próprios EUA. O valor do negócio pode chegar a US$ 2 bilhões. O presidente republicano descreveu o movimento como um primeiro passo para reativar o combalido setor petrolífero venezuelano, que detém as maiores reservas do mundo.
"Este petróleo será vendido ao preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que seja usado em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos", declarou Trump em suas redes sociais na terça-feira, 6 de janeiro.
A reação furiosa de Pequim
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, não poupou críticas em coletiva de imprensa. Ele classificou as ações norte-americanas como "atos típicos de bullying" e uma violação grave do direito internacional.
"O uso descarado da força pelos Estados Unidos contra a Venezuela e sua exigência de 'América Primeiro' quando a Venezuela se desfaz de seus próprios recursos petrolíferos são atos típicos de bullying", afirmou Mao Ning. "Essas ações violam gravemente o direito internacional, infringem seriamente a soberania da Venezuela e prejudicam gravemente os direitos do povo venezuelano", acrescentou.
A China era, até então, a principal compradora do petróleo venezuelano, tendo importado uma média de 389 mil barris por dia em 2025, o que correspondia a cerca de 4% de suas importações marítimas de crude.
Consequências geopolíticas e de mercado
O acordo representa um duro golpe para a influência chinesa na América Latina e força Pequim a buscar alternativas. Especialistas apontam que o país asiático pode agora aumentar suas importações de aliados como Irã e Rússia para compensar a perda do fornecimento venezuelano.
Nos mercados internacionais, a notícia do possível aumento da oferta de petróleo venezuelano fez os preços do barril caírem cerca de 1%. Enquanto isso, na Venezuela, a presidente interina Delcy Rodríguez navega em águas turbulentas. Ela precisa balancear a cooperação com Washington, sob a ameaça de uma nova intervenção militar, e a retórica de denúncia do "sequestro" do ex-ditador Nicolás Maduro, capturado pelos EUA em uma operação que Pequim e Moscou condenaram veementemente.
Fontes da estatal petrolífera PDVSA disseram à Reuters que as negociações para o acordo de exportação avançaram, embora o governo venezuelano ainda não tenha feito um anúncio oficial. O episódio redesenha o mapa energético global e acirra a disputa por influência na América Latina, colocando Venezuela no centro de mais um embate entre as duas maiores potências do mundo.