CELAC discute ataque dos EUA à Venezuela antes de reunião da ONU
CELAC se reúne sobre ataque dos EUA à Venezuela

A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) realiza uma reunião extraordinária neste domingo, 4 de janeiro de 2026, para debater a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela. O encontro virtual dos chefes de Estado está marcado para as 14 horas, no horário de Brasília.

Contexto e Reações Imediatas

A convocação ocorre na véspera de uma sessão de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), que também abordará o assunto. O ataque norte-americano aconteceu no sábado, 3 de janeiro, quando forças dos EUA bombardearam território venezuelano e capturaram o presidente Nicolás Maduro, acusado de envolvimento com narcoterrorismo.

Em coletiva, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que seu país deve governar a Venezuela até que se encontre uma transição pacífica. Ele também afirmou que empresas petroleiras norte-americanas devem explorar as vastas reservas de petróleo do país, as maiores do mundo.

Divergências Regionais e Posições Internacionais

A reação à intervenção não é unânime, nem mesmo entre os membros da CELAC. O bloco reúne 33 países, incluindo todas as nações da América do Sul, como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e a própria Venezuela, além de países da América Central e do Caribe, como México, Cuba e República Dominicana.

O presidente argentino, Javier Milei, alinhado ao trumpismo, limitou-se a publicar em suas redes sociais seu slogan de campanha: “A liberdade avança. Viva a liberdade, caramba”, sem mencionar diretamente o conflito.

Em contraste, o presidente colombiano, Gustavo Petro, expressou "profunda preocupação" e rejeitou ações militares unilaterais. Ele anunciou medidas para proteger civis e estabilizar a fronteira com a Venezuela. O presidente chileno, Gabriel Boric, condenou as ações militares dos EUA e pediu uma saída pacífica. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o ataque como um "precedente perigoso".

Críticas Globais e Preocupações com o Direito Internacional

A comunidade internacional reagiu com críticas severas. A China exigiu a libertação imediata de Nicolás Maduro e classificou a operação como uma "clara violação do direito internacional". A União Europeia, através de sua chefe de política externa, Kaja Kallas, apelou para o respeito aos princípios da Carta da ONU, embora reafirmando que Maduro não tem legitimidade.

Nos próprios Estados Unidos, veículos como The New York Times tacharam a invasão de "ilegal e imprudente", traçando paralelos com intervenções passadas que agravaram crises, como no Afeganistão. Especialistas consultados pela imprensa temem que a investida represente riscos sistêmicos ao direito internacional, corroendo normas que protegem a soberania dos Estados.

Objetivo da Reunião e Cenário Incerto

O principal objetivo do encontro da CELAC é definir um posicionamento comum da região para ser apresentado no Conselho de Segurança da ONU na segunda-feira, 5 de janeiro. No entanto, diante das visões divergentes entre seus membros, o conteúdo de uma eventual nota final conjunta permanece incerto.

A reunião simboliza um teste crucial para a capacidade da América Latina e do Caribe de atuar de forma coesa em uma das crises geopolíticas mais graves a atingir a região nas últimas décadas. O desfecho das discussões terá impacto direto no tom do debate no fórum máximo de segurança global.