Brasil reafirma na Celac preocupação com captura de Maduro na Venezuela
Brasil na Celac: preocupação com captura de Maduro

O governo brasileiro manifestou, de forma contundente, sua profunda preocupação com a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em território de seu próprio país. A posição foi reafirmada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante reunião extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada neste domingo, 4 de janeiro de 2026.

Alinhamento com a posição de Lula e princípios internacionais

O discurso do chanceler brasileiro seguiu a linha traçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que no sábado, 3, já havia se manifestado. Lula classificou a prisão de Maduro como uma "afronta gravíssima à soberania da Venezuela" e um "precedente extremamente perigoso" para toda a comunidade internacional. Na avaliação do Planalto, os atos "ultrapassam uma linha inaceitável".

Mauro Vieira foi além e fundamentou a crítica em pilares do direito internacional. Ele argumentou que as medidas americanas contra a Venezuela violam princípios basilares, como a proibição do uso da força e a obrigação de respeitar a soberania e a integridade territorial dos Estados, todos consagrados na Carta das Nações Unidas.

Reunião da Celac sem consenso absoluto

A sessão da Celac, convocada especificamente para discutir o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, começou às 14h e se estendeu até o fim da tarde de domingo. O objetivo do encontro era consolidar um posicionamento regional para ser levado a uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), também convocada para tratar do caso.

Contudo, não houve um consenso absoluto entre todos os membros do bloco, que reúne praticamente todos os países da América Latina e do Caribe. Até o momento, não foi divulgada uma nota oficial conjunta da Celac sobre os próximos passos ou o saldo definitivo da discussão.

A postura brasileira, entretanto, não estava isolada. Ela foi alinhada a uma nota divulgada anteriormente pelo Itamaraty em conjunto com outros cinco países: Espanha, México, Chile, Colômbia e Uruguai.

Contexto regional e alerta de Lula

Em sua manifestação oficial no sábado, o presidente Lula fez um alerta severo sobre as consequências de ações unilaterais. "Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade", afirmou. Para ele, esse episódio ecoa "os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe" e ameaça a visão da região como uma zona de paz.

Lula defendeu que a comunidade internacional, por meio da ONU, precisa dar uma resposta vigorosa ao ocorrido. O presidente brasileiro reafirmou que o Brasil condena as ações e se coloca à disposição para promover o diálogo e a cooperação como solução para a crise.

A reunião da Celac contou com a participação de membros de toda a região. Na América do Sul, estavam Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Pela América Central e Caribe, participaram Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Costa Rica, Cuba, Dominica, El Salvador, Granada, Guatemala, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, República Dominicana, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas e Trinidad e Tobago.