Esquerda brasileira liderou debate digital sobre show de Bad Bunny no Super Bowl
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Democracia em Xeque revelou que o debate nas redes sociais brasileiras sobre o polêmico show do cantor Bad Bunny durante o intervalo do Super Bowl foi dominado pela esquerda política. O levantamento analisou as interações entre os dias 7 e 10 de fevereiro, período que seguiu a apresentação do artista porto-riquenho no maior evento esportivo dos Estados Unidos.
Volume impressionante de menções supera políticos importantes
Segundo os dados coletados pela instituição, o volume de menções a Bad Bunny superou com folga as citações feitas a figuras políticas de grande relevância nacional e internacional. O artista acumulou mais interações do que a soma combinada de todas as menções a:
- Luiz Inácio Lula da Silva
- Jair Bolsonaro
- Donald Trump
Esse fenômeno digital demonstra o enorme impacto cultural e político que a apresentação do cantor provocou no debate público brasileiro, transcendendo as fronteiras do entretenimento para adentrar questões identitárias e ideológicas.
Disparidade significativa entre engajamentos de esquerda e direita
A pesquisa identificou uma diferença abismal no volume de interações entre os diferentes espectros políticos:
- Perfis classificados como de esquerda registraram mais de 1 milhão de interações sobre o tema
- Perfis de direita contabilizaram apenas 73 mil interações
- O sentimento predominante foi positivo, representando 87% das publicações analisadas
Essa disparidade numérica revela como a esquerda brasileira conseguiu apropriar-se do debate e estabelecer os principais enquadramentos interpretativos sobre o significado do show.
Interpretação como celebração latina e manifesto político
De acordo com Alexsander Chiodi, coordenador do Instituto Democracia em Xeque, a esquerda interpretou a apresentação de Bad Bunny como uma festa de pertencimento latino-americano que misturou cultura pop, identidade brasileira e uma noção ampliada do que significa ser "América" em um palco que é símbolo do patriotismo norte-americano.
"Esse enquadramento dialogou com pautas já ativadas no debate nacional ao longo de 2025, como soberania e patriotismo, que apareceram tanto no contexto do tarifaço quanto nas comemorações do 7 de setembro", explicou Chiodi. "O espetáculo foi lido como continuidade desse repertório, agora projetado em escala continental."
Show como ataque direto a políticas de Trump
O show de Bad Bunny chamou atenção mundial por se transformar em um ato de confronto direto contra o presidente americano Donald Trump. Durante sua apresentação, o cantor fez um manifesto contundente contra a política anti-imigratória do governo dos Estados Unidos e criticou a truculência das forças do ICE, conhecidas por perseguir estrangeiros ilegais e até cidadãos americanos.
Chiodi analisou que "a direita teve presença muito discreta e fragmentada. O baixo volume de interações não indica que a direita perdeu o interesse no que acontece nos EUA, mas que ela tem dificuldade de reagir a um evento enquadrado como orgulho latino que foi acolhido de forma tão positiva pela esquerda e pelo público em geral".
A pesquisa demonstra como eventos culturais de grande visibilidade internacional podem catalisar debates políticos nacionais e revelar as dinâmicas de engajamento digital dos diferentes grupos ideológicos brasileiros. O caso do show de Bad Bunny no Super Bowl ilustra como a cultura pop contemporânea se entrelaça com questões de identidade, soberania e posicionamento político em um mundo cada vez mais conectado pelas redes sociais.