PF abre inquérito para investigar grupo Fictor por tentativa de compra do Banco Master
A Polícia Federal deu início a um novo inquérito no escândalo envolvendo o Banco Master, desta vez com foco no grupo Fictor. A investigação visa apurar a tentativa de aquisição do banco na véspera de sua liquidação, ocorrida em novembro de 2025. As autoridades vão analisar quatro crimes contra o sistema financeiro, incluindo a gestão fraudulenta, em um caso que tem gerado ampla repercussão no cenário econômico brasileiro.
Detalhes da operação e cronologia dos fatos
Em 17 de novembro de 2025, apenas um dia antes da liquidação do Banco Master, o grupo Fictor divulgou um comunicado afirmando liderar um consórcio com investidores dos Emirados Árabes Unidos para comprar a instituição. Com o anúncio oficial da liquidação em 18 de novembro, a proposta foi suspensa. Recentemente, no domingo, 1º de dezembro, a Fictor entrou com um pedido de recuperação judicial para obter mais prazo no pagamento de dívidas e evitar a falência.
Essa movimentação representou a última tentativa de Daniel Vorcaro, proprietário do Master, de impedir a liquidação do conglomerado. Anteriormente, Vorcaro havia recorrido ao Banco de Brasília (BRB), que chegou a aprovar a compra de 58% do capital total do Master em março de 2025. No entanto, um parecer técnico do próprio BRB, divulgado quatro dias antes, levantou ressalvas significativas sobre o negócio.
Alertas técnicos e barreiras regulatórias
O documento técnico, confirmado por reportagens da Folha de S. Paulo e da TV Globo, destacou questões críticas como a liquidez do banco e o índice de Basileia, essenciais para a solidez do sistema financeiro. Apesar dessas advertências, a diretoria jurídica concluiu que não havia ilegalidades formais na proposta, permitindo que a intenção do BRB de assumir o controle acionário do Master seguisse adiante.
Contudo, o Banco Central interveio em setembro de 2025, barrando a operação e, posteriormente, determinando a liquidação do Master. A autoridade monetária já monitorava indícios de irregularidades na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB, incluindo a ausência de transferências bancárias que comprovassem a efetiva contratação de empréstimos.
Impactos e desdobramentos da investigação
Técnicos envolvidos na apuração identificaram o uso de CPFs reais nessas carteiras de crédito, o que pode levar cerca de 40 mil pessoas a enfrentarem problemas na avaliação de crédito, mesmo sem terem contratado os empréstimos. Essa situação tem levantado preocupações sobre a integridade dos dados no sistema de informações do Banco Central.
Em desdobramentos recentes, senadores da Comissão de Assuntos Econômicos reuniram-se nesta quarta-feira, 4 de dezembro, com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para solicitar acesso a documentos relacionados ao caso Master, incluindo o processo que culminou na liquidação. A investigação da PF também se estende à atuação dos gestores do BRB, com foco na compra das carteiras de crédito do Master, em um cenário que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou como muito grave, defendendo a necessidade de rastrear e recuperar os recursos envolvidos.