Human Rights Watch alerta sobre infiltração do PCC e CV na política brasileira
ONG alerta sobre crime organizado na política do Brasil

Relatório da ONG Human Rights Watch alerta para infiltração do crime organizado na política brasileira

A organização internacional Human Rights Watch emitiu um alerta contundente em seu relatório anual de 2026, destacando a grave infiltração de grupos criminosos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na política e nas instituições públicas do Brasil. O documento, que compreende 529 páginas de análise detalhada, exige que as autoridades brasileiras adotem urgentemente novas estratégias de segurança pública para desmantelar essas organizações criminosas que estabelecem relações perigosas com agentes do Estado.

Críticas às atuais políticas de segurança e apelo por mudanças

De acordo com a Human Rights Watch, as estratégias de segurança pública baseadas no uso irrestrito da força letal pela polícia têm falhado repetidamente em tornar as cidades brasileiras mais seguras. Em vez disso, essas abordagens resultaram em um ciclo de mais violência e insegurança, conforme destacado por César Muñoz, diretor da organização no Brasil. Muñoz enfatizou que os candidatos nas próximas eleições devem apresentar propostas concretas para proteger efetivamente os direitos das pessoas, que são ameaçados tanto pelo crime organizado quanto pela ação policial em muitos bairros de baixa renda, predominantemente habitados por população negra.

Medidas propostas para enfrentar o crime organizado

O relatório da ONG sugere uma série de medidas para combater a infiltração criminosa e melhorar a segurança pública no país. Entre as principais recomendações estão:

  • Promoção de investigações independentes para garantir transparência e imparcialidade.
  • Reformas estruturais para tornar a polícia mais eficaz na aplicação da lei, focando em métodos baseados em direitos humanos.
  • Melhoria da coordenação entre órgãos federais e estaduais para enfrentar desafios como o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro.

Além disso, a Human Rights Watch critica a corrupção e os abusos dentro das forças de segurança pública, que minam a confiança das comunidades e reduzem a propensão para denunciar crimes ou colaborar com investigações.

Impacto na sociedade e nas eleições

A segurança pública emerge como a principal preocupação dos brasileiros, de acordo com pesquisas citadas no relatório. Espera-se que essa questão seja central na campanha eleitoral de outubro, pressionando os candidatos a apresentarem propostas baseadas em evidências científicas e direitos humanos. O documento também revela dados alarmantes: entre janeiro e novembro do ano passado, 171 policiais foram mortos por criminosos, enquanto 119 cometeram suicídio, uma taxa significativamente mais alta do que o resto da população, refletindo a exposição à violência e o apoio inadequado à saúde mental.

Em resumo, a Human Rights Watch conclui que é essencial adotar abordagens inovadoras e humanizadas para enfrentar o crime organizado, restaurar a confiança pública e garantir um futuro mais seguro para todos os brasileiros.