O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) admitiu nesta sexta-feira (15) que assinou um contrato como produtor-executivo do filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento, datado de novembro de 2023 e assinado por Eduardo em janeiro de 2024, foi revelado pelo site Intercept Brasil e estabelece poderes sobre a gestão financeira do projeto.
Detalhes do contrato
No contrato, a empresa Go Up, sediada nos Estados Unidos, é apontada como produtora do filme, que inicialmente se chamaria "O Capitão do Povo". Eduardo Bolsonaro aparece como produtor-executivo ao lado do deputado federal Mario Frias (PL), ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro. O documento concede a eles poderes sobre definição de orçamento, gestão financeira e estratégias de financiamento.
As atividades de Eduardo incluíam "envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e a preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio".
Aditivo e conversas
Segundo o Intercept, outro documento de fevereiro de 2024 mostra uma minuta de aditivo contratual em que Eduardo é qualificado como financiador do filme, autorizando o uso de recursos financeiros que ele investir no projeto. A reportagem afirma, no entanto, que não há confirmação de que o aditivo tenha sido assinado.
O site também publicou prints de uma conversa de março de 2025 entre Eduardo e o empresário Thiago Miranda, que intermediou o contato entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro. Na quarta-feira (13), o Intercept revelou que Flávio cobrou de Vorcaro repasses para a produção do filme, o que o senador confirmou, incluindo o envio de recursos para um fundo de investimentos nos EUA administrado pelo advogado de Eduardo, Paulo Calixto.
Nas mensagens, Eduardo discute o financiamento: "O ideal seria haver os recursos já nos Estados Unidos. Que dos Estados Unidos para os Estados Unidos é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos Estados Unidos não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de seis meses, calculamos. Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?"
Versões de Eduardo
Na quinta-feira (14), em uma rede social, Eduardo, que vive nos EUA, negou ter exercido qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, afirmando ter apenas cedido seus direitos de imagem. Porém, após a divulgação do contrato, ele admitiu ter assinado como produtor-executivo apenas para garantir que o diretor continuasse trabalhando no projeto.
"Eu peguei R$ 350 mil, transformei em cerca de US$ 50 mil e mandei para os Estados Unidos. Por quê? Para garantir o contrato com o diretor de Hollywood, para que ele pudesse fazer o roteiro, começar a rascunhar, desenhar essa história que lá na frente, se conseguirmos um investidor ou um grupo de investidores, fazer o filme acontecer", disse Eduardo, mencionando um grande investidor sem revelar o nome.
Ele afirmou ter deixado a posição de produtor-executivo quando o dinheiro passou a ser direcionado ao fundo administrado por seu advogado: "Quando essa estrutura passou a ser uma estrutura de fundo de investimentos, eu saí dessa posição de diretor-executivo, que era o contrato antigo com a produtora, e passei a ser somente uma pessoa que assinou a sua cessão de direitos autorais para que um ator pudesse me representar no filme". Eduardo disse ter recebido de volta os US$ 50 mil investidos inicialmente, sem correção.
Reações e investigações
Em nota, o deputado Mario Frias afirmou que Eduardo Bolsonaro "não é e nunca foi produtor-executivo" do filme "Dark Horse", nem recebeu qualquer quantia do fundo de investimento. A Polícia Federal investigará os repasses de Vorcaro para o filme e se os recursos bancaram despesas de Eduardo nos EUA.
O ministro Flávio Dino, do STF, abriu nesta sexta-feira (15) uma investigação preliminar sobre repasses de emendas parlamentares para ONGs ligadas à produtora do filme. Em 2024, Mario Frias destinou duas emendas, totalizando R$ 2 milhões, para o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, produtora de "Dark Horse" e sócia da Go Up. O STF tenta intimar Frias desde 21 de março para esclarecer a destinação das emendas.



