Valdemar Costa Neto defende mulher como candidata a vice de Flávio Bolsonaro
A oito meses da eleição presidencial, a corrida pela definição das chapas já mexe de forma direta no tabuleiro político brasileiro. Na oposição, o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, defende publicamente que uma mulher seja escolhida como candidata a vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Paralelamente, no governo, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) deseja que Geraldo Alckmin seja mantido no posto de vice-presidente por Luiz Inácio Lula da Silva.
Defesa de uma vice mulher para atrair eleitorado feminino
Em entrevista à GloboNews nesta quarta-feira (11), Valdemar Costa Neto elogiou a senadora Tereza Cristina, do Progressistas (PP), ex-ministra de Jair Bolsonaro, e afirmou que ela seria a escolha ideal para buscar um apoio maior no eleitorado feminino. "Minha opção seria por uma mulher, acho que as mulheres cresceram muito. A Tereza Cristina é o máximo. É quem eu queria que fosse vice do Bolsonaro na outra eleição. Acho que uma vice mulher se encaixaria melhor, mas isso vai depender do Flávio e vai depender do Bolsonaro", declarou o presidente do PL.
Valdemar também comparou os estilos de Flávio e Jair Bolsonaro, destacando que "O Flávio é mais paciente, conversa mais. Nós tivemos dificuldade no passado para conversar com o Bolsonaro. Tinha assunto que ele não queria conversar, como o caso do vice. O Braga Netto é um homem honesto e de bem, mas que não dava um voto para o Bolsonaro".
Posição do PP e cenário político
No entanto, a cúpula do PP avalia que essa discussão ainda é precoce e que uma decisão deve ser tomada somente em junho. Até lá, o partido pretende avaliar a competitividade da candidatura de Flávio Bolsonaro para definir se vai apoiá-lo oficialmente ou se permanecerá neutro. Um apoio direto a Lula está descartado, apesar do diálogo aberto entre o petista e o senador Ciro Nogueira, ex-ministro de Bolsonaro e atual presidente do PP.
A própria senadora Tereza Cristina respondeu que "ainda é cedo" para essa discussão, indicando cautela diante das especulações. Enquanto isso, uma pesquisa recente da Quaest mostra Lula cinco pontos à frente de Flávio Bolsonaro em um possível segundo turno, adicionando complexidade ao cenário eleitoral.
Futuro de Alckmin e estratégias do governo Lula
No campo governista, há quem defenda que Lula troque Alckmin por um vice de um partido mais ao centro, sendo o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) uma opção considerada. Em declarações recentes, o presidente sugeriu que o vice-presidente atual poderia ser candidato ao governo de São Paulo ou ao Senado Federal.
No entorno de Lula, a leitura predominante é que o apoio do MDB seria importante principalmente para aumentar o tempo de televisão durante a campanha, mais do que para atrair eleitores diretamente. O PSB, por sua vez, resiste à ideia de trocar Alckmin. Aliados do partido consideram que Lula não deveria abrir mão de um vice-presidente fiel para tentar atrair partidos que demonstram relutância em se aliar.
Divisões no MDB e alternativas para São Paulo
O MDB encontra-se rachado internamente, com mais da metade dos diretórios estaduais se opondo a Lula, incluindo o poderoso diretório de São Paulo. O presidente do PSB, João Campos, reuniu-se com Lula e defendeu a manutenção de Alckmin como candidato a vice. Aliados do ex-governador paulista avaliam que ele já cumpriu sua missão no estado e que não faria sentido colocá-lo em uma disputa estadual que promete ser dura contra Tarcísio de Freitas, do Republicanos, que tentará a reeleição.
Sobre uma possível candidatura ao Senado, o grupo de Alckmin questiona: "vale a pena para Lula trocar um vice competente e fiel por uma cadeira no Senado entre as 81 existentes?". Lula demonstra preocupação com a eleição em São Paulo e busca um candidato forte contra Tarcísio para auxiliá-lo na corrida presidencial.
Outras possibilidades em discussão incluem Fernando Haddad, que também resiste a uma candidatura estadual, e Simone Tebet, que deve trocar o MDB pelo PSB e está mais próxima de uma candidatura ao Senado Federal. O cenário político continua em ebulição, com definições cruciais previstas para os próximos meses.



