Ministra do Planejamento troca de partido após 30 anos e mira vaga no Senado
O Partido Socialista Brasileiro (PSB) confirmou oficialmente neste sábado (21) a filiação da ministra do Planejamento, Simone Tebet, em cerimônia realizada em São Paulo. A decisão marca o fim de quase três décadas de vinculação com o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), legenda pela qual a política construiu toda sua trajetória desde 1997, incluindo mandatos como senadora e candidatura à Presidência da República em 2022.
Transição partidária e objetivos eleitorais
Com a mudança para o PSB, Tebet passa a integrar o mesmo partido do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, fortalecendo sua base política para a disputa eleitoral. No dia 12 de março, durante o Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Planejamento em Campo Grande (MS), a ministra já havia anunciado publicamente sua intenção de concorrer a uma das vagas no Senado Federal por São Paulo.
Em comunicado oficial, a direção do PSB expressou "entusiasmo, respeito e senso de responsabilidade histórica" com a filiação, destacando que "Simone traz consigo uma combinação rara na vida pública brasileira: firmeza moral, experiência institucional, capacidade de dialogar com o Brasil real, coragem cívica e compromisso democrático".
Processo de decisão e diálogo com o governo
Tebet revelou que conversas sobre sua candidatura vinham sendo conduzidas há seis meses com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin. "Tem seis meses que eu tenho sido provocada positivamente de que preciso cumprir um papel em nome do país", afirmou a ministra, acrescentando que investigou as razões dessa convocação política.
Um momento decisivo ocorreu em 27 de janeiro, durante viagem ao Panamá, quando Lula pediu informalmente que ela considerasse candidatar-se ao Senado por São Paulo. O pedido formal aconteceu em 3 de fevereiro, após conversa adicional com Alckmin.
"Eu fiquei de dar uma resposta apenas por uma razão, e falo isso com muita tranquilidade. Eu precisava das bênçãos da minha mãe", explicou Tebet, referindo-se à necessidade de discutir a decisão com sua família antes de assumir o compromisso eleitoral.
Trajetória política e transição ministerial
Nascida em Três Lagoas (MS), Simone Tebet é filha do ex-governador e ex-senador Ramez Tebet. Sua carreira política inclui:
- Primeira mulher eleita prefeita de Três Lagoas (2004) e reeleita com 76% dos votos (2008)
- Vice-governadora de Mato Grosso do Sul (2011-2014)
- Senadora por Mato Grosso do Sul (2015-2022)
- Primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça do Senado (2019)
- Representante da bancada feminina na CPI da Covid (2021)
- Candidata presidencial pelo MDB (2022), obtendo 4,9 milhões de votos
- Ministra do Planejamento desde dezembro de 2022
Apesar de ainda não ter data definida para deixar o ministério, Tebet afirmou que a previsão é confirmar sua saída até o final de março. "São Paulo é atravessar um rio, é atravessar uma ponte, é onde fiz meu mestrado, onde tive projeção política", refletiu sobre sua conexão com o estado que agora pretende representar no Senado.
Contexto eleitoral e projeções
A decisão de Tebet ocorre em um momento em que pesquisas eleitorais já a colocam entre os principais nomes na disputa pelas duas vagas do Senado por São Paulo. A ministra destacou que o estado foi onde obteve sua melhor votação na eleição presidencial de 2022, recebendo mais de um terço de seus votos totais naquela disputa.
"Política é missão, e eu vou com muita tranquilidade disputar um processo eleitoral que eu entendo muito importante para o Brasil", concluiu Tebet, sinalizando que encara a nova etapa como continuidade de seu serviço público.



