O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, lançou um vídeo de forte crítica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado, 3 de janeiro de 2026. A manifestação ocorreu após a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças do governo norte-americano de Donald Trump.
Críticas diretas à conivência com a ditadura
Em sua publicação nas redes sociais, Tarcísio não poupou palavras ao comentar a queda do regime chavista. Ele afirmou que Maduro conseguiu se manter no poder "porque houve conivência, omissão e até apoio explícito" de quem insistia em tratá-lo como companheiro. Embora não tenha citado Lula nominalmente no áudio, o vídeo exibiu imagens do encontro entre o presidente brasileiro e o ditador venezuelano em 2023, durante visita de Maduro ao Brasil.
O chefe do executivo paulista descreveu Maduro como "cruel e corrupto" e detalhou o custo humano da ditadura. "Por muitos anos, milhões de venezuelanos também foram capturados, perderam seus negócios, foram obrigados a deixar o próprio país e viram a esperança ir embora", declarou Tarcísio, ressaltando que uma ditadura corrói instituições gradualmente, sendo a população quem paga o preço mais alto.
Projeção para as eleições brasileiras
O discurso do governador assumiu um tom de projeção política para o Brasil. Ele conectou explicitamente a queda do regime venezuelano com o cenário eleitoral nacional, que terá novo pleito presidencial no final deste mesmo ano. "A ação de hoje abre uma janela. Que 2026 comece agora, marque o início de um novo tempo para o povo venezuelano. Eleições livres, justas, paz, prosperidade", disse Tarcísio.
Em sua conclusão, fez uma afirmação que ecoou no debate político: "A Venezuela está vencendo a esquerda e no final do ano o Brasil também vence". A declaração é vista como um claro posicionamento de campanha e um alinhamento com a oposição ao governo federal.
Reação de outros governadores
Tarcísio não foi o único governador a se manifestar sobre o episódio. Ele foi o último entre os principais opositores de Lula a comentar a captura de Maduro, mas outros já haviam expressado apoio à ação militar norte-americana.
O governador do Paraná, Ratinho Júnior, parabenizou Donald Trump e chamou a operação de "brilhante decisão de libertar o povo da Venezuela". Já o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, celebrou as ações de guerra que incluíram bombardeios a Caracas e outras cidades antes da captura do ditador, desejando que a data entre para a história como o dia da libertação do povo venezuelano.
Romeu Zema, governador de Minas Gerais, focou no aspecto econômico, expressando o desejo de que a queda de Maduro torne a Venezuela aberta ao mercado em um futuro breve e que o povo possa reencontrar paz e o caminho do desenvolvimento.
O episódio coloca em evidência as profundas divisões na política brasileira em relação a regimes autoritários na América Latina e deve alimentar o debate eleitoral ao longo de 2026, com a posição do governo Lula em relação a Maduro sendo um dos temas centrais das críticas da oposição.