Governador em exercício do Rio promove mudanças no alto escalão do estado
O desembargador Ricardo Couto, governador em exercício do Rio de Janeiro, realizou nesta quinta-feira, 2 de abril de 2026, uma série de exonerações em cargos estratégicos da administração estadual. As mudanças atingem diretamente a Controladoria Geral do Estado (CGE), o Instituto de Segurança Pública (ISP) e a secretaria Extraordinária de Representação em Brasília, substituindo figuras nomeadas pelo ex-governador Cláudio Castro.
Substituições em órgãos-chave do governo fluminense
Na Controladoria Geral do Estado, Demetrio Abdennur Farah Neto, que ocupava o cargo desde o início de 2023, foi exonerado. Em seu lugar, assumiu o advogado Bruno Campos Pereira, anteriormente subsecretário de Contabilidade. Esta mudança representa uma das últimas nomeações feitas por Cláudio Castro a serem revogadas pelo governo atual.
No Instituto de Segurança Pública, a delegada Marcela Ortiz deixou o cargo, sendo substituída pela pesquisadora e economista Bárbara Caballero de Andrade. Esta troca ocorre em um momento sensível para a segurança pública no estado do Rio de Janeiro, que enfrenta desafios significativos na área.
Já na secretaria Extraordinária de Representação em Brasília, o advogado Gustavo Alves Pinto Teixeira, ex-desembargador do Tribunal Regional Eleitoral do Rio, assumiu o lugar de Bráulio do Carmo Vieira, que havia sido escolhido pessoalmente por Cláudio Castro para representar os interesses do estado na capital federal.
Contexto político complexo no Rio de Janeiro
Estas não são as primeiras mudanças promovidas pelo desembargador Ricardo Couto desde que assumiu o governo em exercício. A situação política no Rio de Janeiro é particularmente complexa, resultado de um vácuo de poder que se formou após a saída do ex-governador Cláudio Castro, que deixou o Palácio Guanabara para concorrer ao Senado nas próximas eleições.
Poucos dias após sua saída, Castro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), agravando a instabilidade política no estado. Originalmente, o vice-governador Thiago Pampolha deveria assumir o poder, mas ele renunciou ao cargo no ano passado, criando uma sucessão problemática.
Na ausência do vice-governador, a responsabilidade pelo governo estadual recaiu sobre o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Contudo, Rodrigo Bacellar foi cassado e atualmente encontra-se preso, impossibilitado de exercer a função.
Diante deste cenário, coube ao desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, assumir o governo em exercício. Ele permanecerá no comando até que o Supremo Tribunal Federal (STF) resolva o imbróglio do mandato-tampão e seja realizada uma eleição para definir quem ocupará o Palácio Guanabara até o final de 2026.
As exonerações realizadas nesta quinta-feira refletem a tentativa do governo em exercício de estabelecer sua própria equipe de confiança em meio a um período de transição política marcado por incertezas e disputas pelo poder no estado do Rio de Janeiro.



