O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), revelou durante uma entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (26) que a decisão de abandonar a corrida à Presidência da República foi extremamente difícil, sendo influenciada por fatores familiares e pelo compromisso assumido com os paranaenses. Em uma agenda oficial em Pato Branco, no interior do estado, ele destacou que o PSD analisava internamente três nomes e que sua escolha foi ponderada com cuidado.
Compromisso com o Paraná pesou na decisão
"O PSD tinha três nomes que estavam sendo analisados internamente e tomei uma decisão muito difícil, não tenha dúvida. Eu estava muito animado em ser uma opção para o brasileiro", afirmou Ratinho Junior. Ele ressaltou que o compromisso de permanecer até o último dia do mandato como governador foi um elemento crucial em sua deliberação. O político admitiu publicamente o interesse em concorrer às eleições presidenciais no final de 2024 e, ao longo de 2025, trabalhou ativamente para entrar na disputa, inclusive viajando a outros estados para reuniões com o empresariado.
Desistência anunciada e cenário político
Na segunda-feira (23), Ratinho Junior divulgou um comunicado à imprensa formalizando sua desistência. Com sua saída, os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ronaldo Caiado, de Goiás, continuam como pré-candidatos do PSD ao Planalto. A decisão final do partido está prevista para ser anunciada até a próxima semana. Durante a coletiva, o governador paranaense indicou que seu foco agora se volta para tentar eleger um sucessor no estado.
"A ideia é fazer as entregas nos próximos meses e construir [a candidatura de] alguém que possa dar continuidade a este trabalho. Passar o bastão", explicou ele. No Paraná, o PSD ainda não definiu quem concorrerá ao Palácio Iguaçu e enfrenta dificuldades para encontrar um nome capaz de desafiar nas urnas o senador Sergio Moro, que lidera as pesquisas de intenção de voto e recentemente se filiou ao PL.
Preocupação com brigas políticas e realinhamentos
Ratinho Junior expressou preocupação com o impacto das disputas políticas nacionais no estado. "Tenho muito medo que as brigas de Brasília venham a atrapalhar o Paraná. Nós conseguimos proteger o estado durante sete anos desta briga, que traz muito prejuízo para o Brasil. Minha função é fazer o escudo disso, proteger o paranaense", declarou. Até a filiação de Moro ao PL, a legenda integrava o grupo político de Ratinho Junior no Paraná. Agora, lideranças do PL que apoiam o governador articulam um movimento de desfiliação.
Movimentação partidária e apoio dos prefeitos
Segundo o deputado federal Fernando Giacobo, que se reuniu com gestores municipais nesta quinta-feira em Curitiba, dos 53 prefeitos do PL atualmente no Paraná, pelo menos 48 estão dispostos a deixar o partido para permanecer no grupo de Ratinho Junior. Giacobo renunciou à presidência do PL no estado logo após a filiação de Moro e deixou a legenda. Ele afirmou à Folha de S. Paulo que havia um acordo entre PL e PSD, referendado no ano passado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, e que o grupo se manterá unido em torno do nome escolhido por Ratinho Junior para a disputa estadual.
O deputado federal Filipe Barros, que assumiu o comando do partido no lugar de Giacobo, emitiu uma nota declarando que ele e Moro vão "dialogar com muita responsabilidade e respeito" com todos os prefeitos, vices e parlamentares. Barros é pré-candidato a senador na chapa de Moro. Além do ex-juiz, outros dois nomes já foram lançados para a corrida ao Governo do Paraná: o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) e o deputado estadual Requião Filho (PDT). Este último é filho do ex-senador e ex-governador Roberto Requião, que nesta quinta-feira se lançou pré-candidato a deputado federal pelo PDT.



