Flávio Bolsonaro confirma recusa de Nikolas Ferreira ao governo de Minas Gerais
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, declarou nesta quarta-feira (11) que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) não disputará o Governo de Minas Gerais por falta de interesse pessoal. A informação foi divulgada após conversas estratégicas entre o parlamentar e lideranças do centrão, que viam no deputado uma opção favorita para fortalecer o palanque bolsonarista no estado.
Estratégia eleitoral em Minas Gerais
Como revelado pela Folha de S.Paulo, Flávio Bolsonaro vinha considerando lançar Nikolas Ferreira em uma aliança com setores do União Brasil e do PP, que formam uma federação partidária. Essas legendas do centrão demonstravam entusiasmo com a possibilidade, considerando o deputado como favorito na corrida pelo governo mineiro. A negativa de Nikolas obriga o partido a buscar outras alternativas no estado, que é considerado crucial para a eleição nacional de 2026.
Pessoas próximas a Flávio Bolsonaro afirmam que o deputado já havia sido questionado no ano passado sobre sua disposição em concorrer ao governo e respondeu negativamente. Em outras ocasiões, Nikolas também manifestou não ter desejo de disputar essa eleição majoritária. Minas Gerais é considerado um estado chave porque os últimos presidentes eleitos venceram também no território mineiro, que representa o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, sem tendência clara para esquerda ou direita.
Alternativas em discussão
Com a recusa de Nikolas Ferreira, o PL deve considerar outras opções em Minas Gerais. Entre os nomes cotados está o senador Cleitinho (Republicanos), considerado conservador, mas que por vezes entrou em rota de colisão com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua família. Também fazem parte dos cotados o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite (MDB), e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares.
No cenário atual, o governador Romeu Zema (Novo) é pré-candidato à Presidência da República e tem o vice, Matheus Simões (PSD), como pré-candidato ao governo mineiro. Essa situação cria um dilema para o PL, que corre o risco de ter o candidato da máquina fazendo campanha para outro nome na corrida pelo Planalto. Simões, que deve assumir o cargo de Zema em março, já afirmou que vai apoiá-lo na corrida presidencial, seguindo orientação do presidente do partido, Gilberto Kassab.
Potencial eleitoral de Nikolas Ferreira
Nikolas Ferreira era considerado uma boa opção pela capacidade de mobilização digital e também de rua. Houve entusiasmo com a caminhada e a manifestação organizadas por ele em janeiro para protestar contra a prisão de Bolsonaro. O deputado foi o mais votado em 2022, com 1,47 milhão de votos, e a expectativa no partido é que, em 2026, ele ultrapasse a marca de 2 milhões de eleitores.
A performance nas urnas, avalia a legenda, é impulsionada por um desempenho expressivo nas redes sociais, o que o levou a funcionar como um cabo eleitoral nacional na eleição municipal de 2024. Do lado do governo, o presidente Lula (PT) gostaria de lançar o senador Rodrigo Pacheco (PSD) ao Governo de Minas Gerais, mas petistas já passaram a desenhar um plano B para o estado.
Cenário eleitoral para 2026
Pesquisa Genial/Quaest mostra o presidente Lula à frente no primeiro turno e em todas as simulações de segundo turno para as eleições de 2026. O senador Flávio Bolsonaro se consolida como principal nome da oposição, mas ambos concentram os maiores índices de rejeição entre os eleitores. A disputa em Minas Gerais se torna ainda mais relevante considerando que o estado tem tradição de influenciar diretamente o resultado das eleições presidenciais no país.



