Pesquisa Quaest revela cenário eleitoral apertado entre Lula e Flávio Bolsonaro
A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11), apresenta um panorama eleitoral marcado por estabilidade na liderança de Lula, mas com uma significativa redução na vantagem sobre o principal adversário, Flávio Bolsonaro. O levantamento indica que a corrida presidencial de 2026 promete ser extremamente competitiva, com ambos os candidatos consolidando suas bases e disputando intensamente o eleitorado independente.
Liderança de Lula e consolidação de Flávio Bolsonaro
Nos sete cenários de primeiro turno testados pela Quaest, Lula aparece consistentemente na dianteira, com percentuais de intenção de voto variando entre 35% e 39%. Flávio Bolsonaro ocupa a segunda posição, com índices que oscilam de 29% a 33%. A diferença entre eles varia de quatro a oito pontos, demonstrando uma disputa já acirrada na primeira fase da eleição.
Para o segundo turno, os números são ainda mais reveladores. A vantagem do presidente sobre o senador, que era de dez pontos em dezembro do ano passado, caiu para sete pontos em janeiro e agora está em apenas cinco pontos. Felipe Nunes, diretor da Quaest, avalia que essa diminuição residual da vantagem de Lula consolida Flávio Bolsonaro como o principal nome da oposição, especialmente após a decisão do governador Tarcísio de Freitas de disputar a reeleição em São Paulo.
O peso decisivo dos eleitores independentes
Um dos aspectos mais importantes da pesquisa é o comportamento do eleitorado independente, que corresponde a 32% do total e pode definir o resultado da eleição. Nesse grupo, a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro era de 16 pontos e agora caiu para apenas cinco pontos.
Em janeiro, o presidente tinha 37% das intenções de voto entre os independentes, enquanto o senador aparecia com 21%. Na pesquisa atual, Lula registra 31% contra 26% de Flávio. É importante destacar que, por se tratar de um recorte específico do eleitorado, a margem de erro nesse segmento é maior do que os dois pontos percentuais da pesquisa geral.
Alta rejeição e percepções divididas
A análise da rejeição dos candidatos reforça o cenário de competição acirrada. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro apresentam índices praticamente iguais de rejeição: 54% para o presidente e 55% para o senador. Entre os eleitores independentes, essa rejeição sobe para 64% para ambos os candidatos.
Apesar de liderar as intenções de voto, Lula enfrenta um desafio significativo: 57% dos entrevistados afirmam que ele não merece ser reeleito, enquanto apenas 39% consideram que deve continuar no cargo. "Lula lidera todos os cenários, mas ainda não conseguiu empolgar a maioria", observa Felipe Nunes.
Medo político dividido e cenário para o PSD
A pesquisa também mediu o que os eleitores mais temem para o país. Os resultados mostram uma divisão quase perfeita: 44% dos entrevistados afirmam ter receio de uma volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto 41% dizem temer a reeleição de Lula.
No campo da oposição não bolsonarista, o PSD aparece com três possíveis candidatos: Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite. Entre eles, Ratinho Júnior é o melhor posicionado, mas permanece distante de Lula e Flávio Bolsonaro. Em seu melhor cenário de primeiro turno, o governador do Paraná alcança 8% das intenções de voto, enquanto Caiado e Leite chegam a 4%.
No segundo turno contra Lula, Ratinho Júnior marca 35%, contra 43% do presidente. "Ratinho não conseguiu alavancar suas intenções de voto contra Lula e está estacionado próximo dos 35% desde novembro", afirma Nunes.
Consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro
A pesquisa confirma a consolidação de Flávio Bolsonaro como candidato da oposição. Entre os eleitores que se declaram bolsonaristas, o senador registra entre 87% e 93% das intenções de voto, dependendo do cenário. Na direita não bolsonarista, ele varia de 62% a 72%.
O levantamento também mostra que 69% dos entrevistados sabem que Flávio recebeu o apoio do pai, Jair Bolsonaro. Para 44%, o ex-presidente acertou ao indicar o filho para a disputa presidencial, índice que era de 43% em janeiro e 36% em dezembro. "Cada vez mais gente da direita e do bolsonarismo diz que Bolsonaro acertou ao indicar o filho para disputar a presidência", analisa Nunes.
A pesquisa Quaest foi realizada entre os dias 5 e 8 de fevereiro de 2026, com 2.000 entrevistas em 120 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.



