Pesquisa Quaest revela polarização intensa: Lula lidera, mas Flávio Bolsonaro avança em 2026
Lula lidera, mas Flávio Bolsonaro avança em nova pesquisa Quaest

Pesquisa Quaest revela cenário apertado para eleições presidenciais de 2026

A nova rodada da pesquisa Quaest confirma um cenário eleitoral extremamente competitivo para as eleições presidenciais de 2026. O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantendo a liderança nos cenários de primeiro turno, porém enfrentando um adversário em clara ascensão: o senador Flávio Bolsonaro.

Lula lidera, mas vantagem diminui com crescimento de Flávio Bolsonaro

No principal cenário testado pelo instituto, Lula aparece com 35% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 29%. Em outra simulação que inclui mais nomes da centro-direita, o presidente marca 38% e o senador chega a 30%. Apesar da liderança, a vantagem do petista está longe de ser confortável e vem se reduzindo gradualmente.

O cientista político Mauro Paulino destaca que o dado central não é apenas a liderança de Lula, mas a consolidação de uma polarização política que já antecipa o clima de segundo turno ainda na primeira etapa da disputa. Quando se somam os percentuais dos demais nomes da direita aos de Flávio Bolsonaro, o campo conservador praticamente empata com o presidente, indicando que a disputa final já aparece desenhada desde agora.

Dinâmica eleitoral mostra transferência de votos e polarização intensa

A dinâmica revelada pela pesquisa é clara: Lula mantém um patamar alto e estável de intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro cresce gradualmente, impulsionado pela transferência de votos do pai, Jair Bolsonaro. Esse fenômeno é considerado incomum na intensidade observada até o momento.

Nos cenários estimulados de segundo turno, Lula aparece com 43% contra 38% de Flávio Bolsonaro – uma diferença de apenas cinco pontos percentuais. Contra outros possíveis candidatos como Ratinho Júnior, a vantagem sobe para oito pontos, e diante de Ronaldo Caiado, alcança dez pontos. Porém, esses números precisam de contexto: o maior conhecimento do nome Lula pesa nas comparações, enquanto outros candidatos ainda carregam alto índice de desconhecimento nacional, o que pode significar espaço tanto para crescimento quanto para desgaste.

País dividido ao meio entre lulismo e bolsonarismo

Um dos recortes mais reveladores da pesquisa é a pergunta dicotômica: “O que dá mais medo hoje: Lula continuar ou a família Bolsonaro voltar?” O resultado apresenta um retrato cristalino da divisão nacional: 44% dos entrevistados temem o retorno da família Bolsonaro, enquanto 41% temem a permanência de Lula – um empate técnico dentro da margem de erro.

A conclusão de Paulino é direta: o país segue rachado ao meio. O antibolsonarismo mantém força equivalente ao antilulismo, e nenhum dos dois campos demonstra capacidade, até agora, de romper essa barreira emocional que divide o eleitorado brasileiro.

Risco para Lula: avaliação do governo estagnada

A avaliação do governo Lula permanece estável, oscilando na casa dos 33% a 35% de aprovação. A avaliação negativa também não dispara – mas tampouco recua significativamente. Para Paulino, esse é o ponto sensível da estratégia eleitoral do presidente. Lula só ampliará sua vantagem se conseguir melhorar a percepção positiva de sua gestão. Sem crescimento consistente na avaliação governamental, dificilmente haverá crescimento consistente nas intenções de voto.

“Não tem gordura”, resume o analista, referindo-se à margem de manobra do presidente. Nem no primeiro turno, nem no segundo. A eleição de 2026, tudo indica, será decidida voto a voto, em um cenário de polarização extrema e divisão profunda do eleitorado brasileiro.