Pesquisa Quaest revela teto eleitoral de Lula e transferência inédita de votos para Flávio Bolsonaro
Lula enfrenta teto de 40% enquanto Flávio recebe votos bolsonaristas

Pesquisa Quaest revela cenário eleitoral acirrado com Lula estagnado e Flávio em ascensão

A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, expõe um cenário político que se desenha de forma cada vez mais polarizada no Brasil. Os números mostram uma redução consistente da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro nos últimos meses, com a diferença caindo para apenas cinco pontos percentuais.

O teto incômodo de Lula e a estabilidade preocupante

Segundo análise do cientista político Mauro Paulino, apresentada no programa Ponto de Vista da apresentadora Marcela Rahal, o dado mais relevante não é apenas a diminuição da distância entre os candidatos, mas a dificuldade de Lula em ultrapassar com folga a barreira dos 40% de intenções de voto. O presidente mantém liderança em todos os cenários de segundo turno, com 43% contra 38% de Flávio, mas permanece dentro de um limite que parece resistente a avanços mais robustos.

"O Lula tem um conhecimento praticamente unânime e uma exposição maior do que todos os adversários. Mesmo assim, permanece nesse patamar alto, porém estável", resumiu Paulino durante a análise dos dados. No primeiro turno, Lula aparece com 35% a 38% das intenções de voto, dependendo do cenário, enquanto Flávio oscila entre 29% e 30%.

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A conclusão dos especialistas é direta: os números macroeconômicos positivos não estão sendo plenamente convertidos em percepção de melhora concreta da vida do eleitor, o que explicaria a dificuldade do presidente em expandir sua base eleitoral além do atual patamar.

Transferência inédita de votos para Flávio Bolsonaro

Enquanto Lula enfrenta um teto eleitoral aparentemente intransponível, Flávio Bolsonaro experimenta uma transferência de votos considerada fora do padrão histórico da política brasileira. Segundo Mauro Paulino, a migração automática do eleitorado bolsonarista para o filho é algo raro e está ocorrendo de forma mais intensa do que o habitual.

"Essa transferência não costuma ser tão automática quanto estamos observando agora", afirmou o cientista político. Apesar de o crescimento começar a mostrar sinais de desaceleração, a candidatura de Flávio se consolida como o polo competitivo da direita, mesmo antes de apresentar programa ou estrutura formal de campanha.

A grande incógnita que permanece no ar é: qual será o teto eleitoral de Flávio Bolsonaro? Até onde a força do sobrenome conseguirá superar a rejeição herdada do governo anterior?

País dividido pelo medo e São Paulo como campo decisivo

Outro dado revelador da pesquisa Genial/Quaest é o recorte emocional do eleitorado brasileiro. Quando perguntados sobre o que mais os preocupa, 44% dos entrevistados afirmam temer a volta da família Bolsonaro ao Planalto, enquanto 41% dizem temer a permanência de Lula na presidência.

A diferença está dentro da margem de erro, mas o simbolismo é forte: o país permanece dividido praticamente ao meio, inclusive no medo. "Essas perguntas dicotômicas mostram como a população brasileira se divide quase simetricamente", analisou Paulino durante o programa.

O cenário se mostra ainda mais desafiador para o Planalto quando analisado o maior colégio eleitoral do país. Em São Paulo, pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas mostra Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula — 37,8% contra 33,7% — dentro da margem de erro. A tendência, segundo especialistas, é histórica: o interior paulista tem perfil mais conservador e tradicionalmente favorece candidaturas à direita.

Lula pode vencer na capital paulista, mas enfrenta resistência significativa no interior. Num cenário nacional acirrado, São Paulo volta a assumir papel estratégico decisivo — não apenas pelo tamanho do eleitorado, mas pela capacidade de influenciar a política nacional como um todo.

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A polarização que marcou as últimas eleições brasileiras parece se consolidar novamente, com dois polos políticos bem definidos e um eleitorado emocionalmente dividido entre medos opostos. A pesquisa Genial/Quaest revela que, apesar da liderança mantida por Lula, o presidente enfrenta desafios significativos para expandir sua base além dos atuais 40%, enquanto Flávio Bolsonaro capitaliza de forma inédita o legado político do pai.