No aguardado ano da colheita política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta uma safra indigesta que coloca em risco sua reeleição. Em vez de recuperar popularidade, o mandatário acumula problemas domésticos e internacionais que desafiam suas expectativas para 2026.
Desaprovação crescente e percepção econômica negativa
Preparando-se para sua sétima candidatura presidencial, Lula esperava que 2026 fosse o ano em que a população finalmente perceberia as realizações do governo. Contudo, as pesquisas mostram que a desaprovação ao governo continua maior do que a aprovação, com a diferença entre os dois indicadores aumentando nos últimos levantamentos.
Apesar da publicidade oficial ressaltar avanços em importantes índices econômicos, especialmente o aquecimento do mercado de trabalho e a ampliação da renda média do trabalhador, o mau humor da população tem crescido nessa área. A Genial/Quaest detectou que subiram entre fevereiro e março os percentuais de eleitores que acham que a economia piorou (de 43% para 48%) e que o poder de compra diminuiu (de 61% para 64%).
Corrupção volta a assombrar o cenário político
A corrupção também voltou a assombrar o país com força renovada. Filho mais velho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, retornou à pauta do noticiário e de uma CPI no Congresso devido à sua relação mal-explicada com Antônio Camilo Antunes, o "Careca do INSS".
Este último foi apontado pela Polícia Federal como operador do esquema bilionário de roubo contra aposentados e pensionistas, criando um constrangimento significativo para o governo. A oposição também tem tentado vincular o escândalo do Banco Master à administração atual, cujos integrantes reconhecem que as investigações podem desgastar a imagem de Lula.
Embora o presidente não tenha envolvimento direto na maior fraude bancária da história do país, que deixou um rombo de mais de 50 bilhões de reais, o caso cria um ambiente político desfavorável em um momento crucial.
Cenário internacional agrava pressões domésticas
Não bastassem as dificuldades internas, o cenário internacional não tem sido favorável. Os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã fizeram subir o preço do petróleo no mundo e dos combustíveis no Brasil, criando pressões inflacionárias adicionais.
Em resposta, o governo zerou o PIS e o Cofins sobre o óleo diesel numa tentativa de baixar o valor do produto e evitar uma greve de caminhoneiros. Embora a paralisação não tenha sido realizada até o momento, ela não está completamente descartada, mantendo a tensão no setor de transportes.
Os aliados do governo temem que o conflito externo continue provocando mais inflação no Brasil, o que teria efeitos eleitorais potencialmente explosivos em um ano de disputa presidencial.
Empate técnico nas simulações eleitorais
Os custos dessa safra política difícil de 2026 são visíveis no quadro eleitoral. As simulações de segundo turno realizadas por quatro institutos renomados revelam um empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, representando um cenário muito mais competitivo do que o esperado inicialmente.
Na pesquisa da Genial/Quaest, o oposicionista apareceu pela primeira vez à frente do presidente no eleitorado independente, considerado o fiel da balança da próxima votação: 32% a 27%. Este dado é particularmente preocupante para a estratégia de reeleição, pois indica uma erosão do apoio entre os eleitores não alinhados.
Quando falava em colheita política, Lula sabia que a sucessão presidencial não seria fácil, mas dificilmente esperava enfrentar tantas dificuldades simultâneas. A combinação de desaprovação crescente, escândalos de corrupção, pressões inflacionárias internacionais e um cenário eleitoral apertado cria um ambiente desafiador para os meses que antecedem as eleições.
A capacidade do governo de reverter essa tendência e colher os frutos políticos que esperava para 2026 dependerá de sua habilidade em enfrentar múltiplas frentes de crise enquanto mantém o foco na campanha de reeleição.



