Flávio Bolsonaro busca se desvencilhar de imagem radical herdada do pai em campanha presidencial
Flávio Bolsonaro tenta superar herança radical do pai na política

Flávio Bolsonaro tenta consolidar imagem moderada para disputa presidencial

Inicialmente visto com ceticismo quando anunciou sua candidatura à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, conseguiu superar as desconfianças iniciais sobre sua competitividade eleitoral e se consolidar rapidamente como um forte concorrente. As últimas pesquisas de intenção de voto mostram que ele está empatado tecnicamente com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas simulações de segundo turno, um cenário que surpreendeu analistas políticos e eleitores.

Estratégia de campanha foca em moderar imagem herdada

O desempenho eleitoral expressivo de Flávio Bolsonaro não se deve a uma campanha agressiva ou a pronunciamentos frequentes. Pelo contrário, sua estratégia na pré-campanha tem sido manter um perfil discreto, falar pouco e permitir que os adversários cometam erros por conta própria. No entanto, o grande impulso em suas intenções de voto vem diretamente do prestígio eleitoral ainda mantido por seu pai, Jair Bolsonaro, que está transferindo parte considerável de sua popularidade e base eleitoral para o filho mais velho.

Os estrategistas da campanha de Flávio Bolsonaro alertam, contudo, que será impossível vencer as eleições presidenciais se o senador permanecer posicionado no mesmo espectro político de sua família - seja na direita tradicional ou na extrema direita, conforme a percepção de diferentes segmentos eleitorais. A meta central da equipe de marketing político é apresentá-lo como um nome de centro-direita, que defende uma economia liberal, programas sociais eficientes, valores conservadores e, diferentemente de seus irmãos e do pai, uma postura de abertura ao diálogo com adversários políticos.

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Moderação como ferramenta eleitoral

De acordo com coordenadores da campanha, não seria difícil implementar essa nova imagem porque o próprio Flávio Bolsonaro seria naturalmente um político mais moderado. A fama de radical que carrega seria, em grande parte, injusta e decorrente do fato de ter vivido constantemente à sombra da figura paterna ao longo de sua carreira política. "O lugar de origem dele não é esta coisa mais nervosa da direita, é a centro-direita. Como ele sempre ficou quieto, acabou ficando com a imagem do pai. Na hora em que começar a falar, será natural as pessoas perceberem que é mais moderado", explica um dos responsáveis por desenvolver a nova imagem pública do candidato.

Flávio Bolsonaro tem seguido rigorosamente os conselhos de seus assessores. Ao anunciar formalmente sua candidatura à Presidência, ele se apresentou deliberadamente como um Bolsonaro que toma vacina, em nítida contraposição ao pai, que não se imunizou contra a Covid-19 e frequentemente questionou as recomendações sanitárias durante o auge da pandemia. Essa tentativa de moderação se estenderá inclusive para a área da segurança pública, tradicionalmente um tema sensível para a família Bolsonaro.

Mudança no discurso sobre segurança pública

Se o roteiro traçado pelos marqueteiros for cumprido integralmente, o famoso lema "bandido bom é bandido morto" - entoado repetidamente por anos pela família Bolsonaro - dará lugar a um discurso menos populista e mais técnico. A nova abordagem defenderá a punição dos criminosos estritamente de acordo com a legislação vigente e a reformulação estrutural dos presídios brasileiros, com o objetivo declarado de assegurar o respeito aos direitos humanos fundamentais das pessoas encarceradas. Essa transformação representaria uma significativa mudança de postura em relação ao histórico familiar, aproximando-se de um perfil mais conciliador e menos confrontacional.

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A estratégia política de Flávio Bolsonaro revela um cálculo eleitoral sofisticado: aproveitar a popularidade herdada do pai enquanto simultaneamente se distancia da imagem mais radical associada ao bolsonarismo tradicional. Essa dupla movimentação busca capturar tanto a base fiel do pai quanto atrair eleitores de centro que possam se sentir desconfortáveis com posições mais extremadas. O sucesso ou fracasso dessa abordagem determinará em grande medida seu desempenho nas urnas e sua capacidade de transformar o empate técnico atual em uma vantagem consistente ao longo da campanha eleitoral.