Plano político de aliado de Lula sofre revés na Assembleia do Rio
As ambições políticas do deputado estadual André Ceciliano, secretário de Assuntos Parlamentares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enfrentaram um significativo obstáculo nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O petista, que vinha se articulando para a eleição indireta que ocorrerá quando o governador Cláudio Castro deixar o Palácio Guanabara antecipadamente para concorrer ao Senado, viu suas estratégias serem complicadas por novas regras aprovadas pela Comissão de Constituição e Justiça da Alerj.
Mudanças nas regras dificultam dissidências
A CCJ estabeleceu que o voto para a eleição-tampão será nominal e aberto, uma decisão que na prática inibe possíveis dissidências que poderiam beneficiar Ceciliano. Com essa modalidade de votação, torna-se mais custoso para os deputados da base governista desviarem-se do candidato oficial do PL, partido que detém a maior bancada na Assembleia. Além disso, ficou definido que os candidatos devem ser indicados formalmente pelos partidos, o que significa que o PT no Rio precisará dar aval explícito para que Ceciliano entre na disputa.
Resistências internas e externas ao projeto
O petista enfrenta resistências significativas dentro de seu próprio partido. O vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, já manifestou publicamente sua oposição à ideia de Ceciliano concorrer ao governo. O deputado admitiu que tem mantido conversas com colegas "de diferentes matizes ideológicas" sobre a possibilidade, mas garantiu que só seguirá adiante com o projeto se contar com o apoio direto de Lula e se isso contribuir para a reeleição do presidente.
A movimentação de Ceciliano também desagradou o prefeito do Rio, Eduardo Paes, do PSD, que é pré-candidato ao governo com o respaldo de Lula. Os dois políticos já trocaram farpas publicamente após a oficialização da candidatura de Paes, evidenciando as tensões dentro da base aliada do presidente.
Relações políticas e possíveis apoios
André Ceciliano possui bom trânsito com parlamentares do Centrão, relações que foram fortalecidas durante seu período como presidente da Assembleia Legislativa, entre 2017 e 2023, quando contou com amplo apoio dos colegas. O petista também mantém proximidade com Rodrigo Bacellar, do União Brasil, que está licenciado da presidência da Alerj desde que se tornou alvo de uma operação da Polícia Federal, mas que mantém aliados fiéis na Casa e poderia ser um padrinho importante, mesmo em prisão domiciliar.
Entretanto, as novas regras aprovadas pela CCJ representam um duro golpe nas estratégias de Ceciliano. O projeto ainda precisa ser aprovado no plenário da Assembleia, mas as definições já indicam um cenário mais difícil para o deputado petista, que ensaiava um voo solo em meio às candidaturas que o PL estuda lançar para a sucessão de Cláudio Castro. A necessidade de indicação partidária formal e o voto aberto criam barreiras adicionais em um processo que já era complexo por natureza.



