MPPA recomenda correção de sobreposição da Flota Paru sobre comunidades no Pará
MPPA recomenda correção de sobreposição da Flota Paru no Pará

Promotoria Agrária do Pará atua para corrigir sobreposição territorial que afeta comunidades tradicionais

A Promotoria de Justiça Agrária da 2ª Região, com sede em Santarém, no oeste do Pará, emitiu a Recomendação nº 01/2026 com o objetivo de corrigir graves inconsistências fundiárias identificadas na região. O documento aborda a sobreposição da Floresta Estadual do Paru (Flota Paru II) sobre áreas historicamente ocupadas pelas comunidades tradicionais de Água Fria, Mutum e Lamparina, localizadas no município de Prainha.

Inconsistência histórica na delimitação da unidade de conservação

A recomendação, assinada pela promotora Herena Neves Maués e encaminhada ao Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio) e ao Instituto de Terras do Pará (Iterpa), resulta de uma minuciosa análise técnica e jurídica. Esta análise revelou divergências significativas na delimitação da Flota Paru e os impactos negativos gerados sobre as famílias tradicionais da região.

Conforme apurado pela Promotoria, o decreto estadual que instituiu a Flota Paru não incluiu expressamente o município de Prainha em seus limites originais. No entanto, o memorial descritivo anexo ao decreto posteriormente passou a abranger áreas do município, incorporando indevidamente cerca de 85 mil hectares que não constavam na delimitação inicial.

Erro material reconhecido e revogação problemática

O Governo do Estado do Pará chegou a reconhecer formalmente essa inconsistência, editando em 2012 o Decreto nº 580 para corrigir o erro material relacionado às coordenadas geográficas da unidade de conservação. Contudo, a revogação deste decreto corretivo em 2024 reintroduziu o memorial descritivo com a falha anterior, gerando, segundo o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), um cenário de insegurança jurídica para as comunidades locais, que veem seus direitos territoriais ameaçados.

Medidas recomendadas para solução da controvérsia

A Promotoria Agrária recomendou aos órgãos estaduais uma série de medidas para resolver a controvérsia, incluindo:

  • A possível exclusão da comunidade de Prainha dos limites da unidade de conservação;
  • Esclarecimentos públicos sobre a compatibilização dos limites da Flota Paru com os direitos das comunidades;
  • Articulação institucional entre Ideflor-Bio e Iterpa para harmonizar as bases cartográficas;
  • Busca por uma solução técnica consensual que assegure a regularização fundiária das famílias.

O MPPA enfatiza que seu objetivo é garantir os direitos territoriais das comunidades afetadas, corrigir definitivamente as inconsistências fundiárias e assegurar que decisões sobre unidades de conservação respeitem integralmente as populações tradicionais. Isso inclui o cumprimento do direito à consulta prévia, livre e informada, conforme estabelecido na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A atuação do Ministério Público busca, portanto, equilibrar a proteção ambiental proporcionada pela Flota Paru com a proteção social e cultural das comunidades que habitam a região há gerações, promovendo justiça agrária e segurança jurídica no oeste do Pará.