MP da Paraíba entra na Justiça para paralisar obra viária sobre falésia em João Pessoa
MP-PB aciona Justiça para paralisar obra em falésia de João Pessoa

Ministério Público da Paraíba aciona Justiça para paralisar obra em área de falésia

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) entrou com uma ação civil pública na Justiça contra a Prefeitura de João Pessoa, solicitando a paralisação imediata de qualquer intervenção do Projeto Orla Sul. A medida visa interromper a construção e manutenção de uma via de tráfego sobre uma falésia situada entre a Praia do Sol e a Barra de Gramame, em uma área considerada de preservação ambiental.

Área de preservação e riscos geológicos

De acordo com o MP, a área em questão abrange 520 metros sobre a Falésia do Gramame, incluindo um raio de 100 metros a partir de sua borda. A ação tem como objetivo principal evitar o agravamento dos processos erosivos já identificados no local, que apresenta uma fragilidade geológica significativa. O órgão alega que o local tem risco elevado de danos ambientais com a manutenção do tráfego, conforme apontado por laudos técnicos do Núcleo de Atividades Técnicas (NAT) do próprio MP.

Pedidos do Ministério Público e multas

O MP pede que, caso a paralisação não seja cumprida, a prefeitura seja multada em R$ 10 mil diariamente. Além disso, a ação inclui outros pedidos importantes:

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  • Realização de um Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/Rima).
  • Formulação detalhada do projeto viário que está sendo traçado no local.
  • Execução de um Projeto de Recuperação de Área Degradada (Prad) para reflorestar a borda da falésia.
  • Indenização por dano moral coletivo de R$ 1 milhão.
  • Compensação ambiental de R$ 5 milhões.

Contexto e resposta da prefeitura

Antes de recorrer à Justiça, o Ministério Público expediu uma recomendação direta para a Prefeitura de João Pessoa em março de 2025, solicitando a suspensão da obra viária. No entanto, conforme citado na ação, a prefeitura não acatou a recomendação integralmente. O procurador-geral do município, Bruno Nóbrega, informou que ainda não foi notificado sobre o processo e só deve se manifestar após tomar conhecimento de seu conteúdo.

Críticas aos estudos apresentados

O MP alega que os estudos apresentados pela prefeitura de João Pessoa para viabilizar a construção da obra subestimam os impactos cumulativos. Segundo o órgão, esses estudos desconsideram efeitos críticos, como:

  1. Vibrações repetitivas causadas pelo tráfego.
  2. Aumento da ocupação urbana na região.
  3. Impermeabilização indireta do solo, que pode agravar problemas ambientais.

Essa ação judicial destaca a tensão entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental em João Pessoa, com o Ministério Público buscando garantir a proteção de uma área sensível contra possíveis danos irreversíveis.

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