Lei do Maranhão sobre moratória da soja permanece em vigor após STF reiniciar julgamento
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, solicitou destaque e retirou do plenário virtual o julgamento que analisa a suspensão de processos relacionados à moratória da soja em todo o território nacional. Com essa decisão, a Lei do Maranhão que trata do tema segue plenamente válida e em vigor, enquanto o processo passa a ser analisado no plenário presencial da Corte.
Contexto da moratória da soja e impacto no julgamento
A moratória da soja representa um acordo histórico firmado entre empresas do agronegócio e organizações ambientais com o objetivo claro de impedir a compra de soja produzida em áreas da Amazônia Legal, o que inclui parte significativa do estado do Maranhão. Ambientalistas e especialistas afirmam consistentemente que esta medida foi fundamental para reduzir o desmatamento diretamente ligado à expansão do cultivo do grão na região amazônica nos últimos dez anos.
Com o pedido de destaque realizado pelo ministro Edson Fachin, o julgamento é efetivamente reiniciado e todos os votos que haviam sido apresentados no ambiente virtual deixam de ter validade. Até o momento do destaque, existiam quatro votos a favor e um contra a decisão do relator, ministro Flávio Dino, que havia determinado a suspensão de processos judiciais e administrativos que discutem a moratória da soja em todo o país.
Posicionamento dos ministros antes do destaque:- Flávio Dino - A favor da suspensão
- Alexandre de Morais - A favor da suspensão
- Cristiano Zanin - A favor da suspensão
- Gilmar Mendes - A favor da suspensão
- Dias Toffoli - Contra a suspensão
Medida preventiva e consequências imediatas
A medida foi tomada por Edson Fachin dentro do julgamento de uma lei do Mato Grosso que possui conteúdo semelhante, com o propósito explícito de evitar decisões contraditórias enquanto o Supremo Tribunal Federal analisa o tema de forma definitiva e abrangente. Com essa mudança significativa de procedimento, o caso terá uma nova data para julgamento presencial, que ainda não foi marcada oficialmente pela Corte.
Embora seja comum na prática que ministros mantenham o entendimento já manifestado anteriormente no plenário virtual, é importante destacar que todos os votos podem ser alterados durante o novo julgamento presencial. A decisão final do STF deve servir como referência obrigatória para ações judiciais que questionam leis estaduais sobre a moratória da soja, o que inclui especificamente a Ação Direta de Inconstitucionalidade 7823, movida contra a Lei nº 12.475/2023 do estado do Maranhão.
Impacto direto na legislação maranhense
A ação foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal por partidos políticos e entidades ligadas diretamente à defesa do meio ambiente que contestam frontalmente a constitucionalidade da norma estadual que retirou benefícios fiscais de empresas exportadoras que participem de acordos que "limitem a expansão da atividade agropecuária" — caso específico da moratória da soja.
Segundo os autores da ação no STF, a lei maranhense cria um tipo perigoso de punição para empresas que adotam compromissos ambientais voluntários e pode enfraquecer seriamente políticas de proteção da Amazônia. "Sem a moratória, aumenta-se drasticamente o risco de que a soja volte a estar associada com desmatamento na Amazônia. Estimativas técnicas indicam que o fim do acordo pode levar ao desmatamento de até 9,2 milhões de hectares, comprometendo gravemente a meta brasileira de zerar desmatamento até 2030, agravando a crise climática global e a reputação das exportações brasileiras, especialmente em um contexto de crescente preocupação internacional sobre cadeias livres de desmatamento", afirma Ana Clis Ferreira, porta-voz de Florestas do Greenpeace Brasil.
Argumentos dos defensores da norma estadual
Já os defensores da norma maranhense afirmam com veemência que a medida busca impedir que acordos privados imponham restrições adicionais à produção rural além do que prevê expressamente a legislação brasileira. "A moratória da soja é uma lei comercial ilegal, inclusive com formação de cartel. Nós sofremos isso no dia a dia, essa manipulação de mercado, o controle do que o produtor produz, mesmo o produtor obedecendo todas as leis que estão no Estatuto Florestal Brasileiro, que é o estatuto mais arrojado que existe no mundo", declara Gesiel Dal Pont, presidente da APROSOJA-MA.
O julgamento do STF sobre a lei de Mato Grosso, que possui conteúdo extremamente semelhante ao caso maranhense, deve influenciar diretamente e de maneira decisiva a análise do caso envolvendo especificamente o estado do Maranhão. Enquanto isso, a legislação estadual permanece plenamente em vigor, aguardando o desfecho final do processo no Supremo Tribunal Federal.



