Justiça suspende uso de R$ 42,4 milhões do Fundo Ambiental de Ubatuba por irregularidades
Justiça suspende R$ 42,4 mi do Fundo Ambiental de Ubatuba

Justiça suspende uso de R$ 42,4 milhões do Fundo Ambiental de Ubatuba por irregularidades

A Justiça de São Paulo determinou, nesta quinta-feira (5), que a Prefeitura de Ubatuba suspenda imediatamente o uso de aproximadamente R$ 42,4 milhões do Fundo Municipal do Meio Ambiente (FMMA). A decisão atende a uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que apontou graves irregularidades no processo de aprovação e possível desvio de finalidade em relação aos objetivos ambientais do fundo.

Liminar concede suspensão de gastos

A liminar foi concedida pela juíza Samara Fernandes Cardoso Lima, da 2ª Vara de Ubatuba, que determinou que o município se abstenha de gastar os valores em projetos aprovados durante uma reunião extraordinária do Conselho Municipal de Meio Ambiente realizada no último dia 12 de fevereiro. Segundo o Ministério Público, a destinação dos recursos teria ocorrido com falhas processuais significativas e possível desvio de finalidade em relação aos objetivos ambientais do fundo.

Projetos questionados pelo MP-SP

Entre os projetos citados na ação que motivaram a decisão judicial estão investimentos considerados questionáveis quanto à sua relação direta com a preservação ambiental. Os valores envolvidos são expressivos:

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  • Investimentos em infraestrutura de tecnologia da informação: R$ 2,9 milhões
  • Sistema de monitoramento por câmeras: R$ 6,5 milhões
  • Construção de uma sede administrativa chamada 'Eco-Paço': R$ 21 milhões
  • Implantação de um terminal rodoviário ambiental: R$ 12 milhões

De acordo com o MP-SP, parte substancial dessas iniciativas não teria relação direta com a finalidade ambiental prevista para a aplicação dos recursos arrecadados pela Taxa de Preservação Ambiental (TPA). Na decisão, a magistrada afirmou que a suspensão é necessária para evitar possíveis danos aos cofres públicos enquanto o caso é analisado em profundidade.

Determinações adicionais da Justiça

Além da suspensão dos gastos, a Justiça determinou que o município apresente informações detalhadas e transparentes sobre a arrecadação e aplicação da taxa ambiental. Entre as medidas impostas estão:

  1. Disponibilizar um link público com o extrato completo dos valores arrecadados com a TPA
  2. Informar detalhadamente todos os gastos realizados com recursos do fundo ambiental
  3. Detalhar minuciosamente a destinação de valores para projetos e entidades sem fins lucrativos

A decisão também prevê a intimação formal de todos os responsáveis pela gestão do fundo, que poderão responder pessoalmente em caso de descumprimento da ordem judicial. A medida busca garantir a responsabilização individual dos gestores públicos envolvidos.

Contexto da arrecadação ambiental

Vale destacar que a arrecadação da Taxa de Preservação Ambiental de Ubatuba registrou crescimento significativo recentemente, subindo 23% e chegando a R$ 47,5 milhões em 2025. Este aumento torna ainda mais crucial a fiscalização rigorosa sobre a aplicação desses recursos, que devem ser destinados exclusivamente a projetos de preservação e recuperação ambiental conforme a legislação municipal.

O caso ocorre em um momento de atenção crescente sobre a gestão de recursos ambientais no litoral paulista, especialmente considerando a importância ecológica da região de Ubatuba. A Prefeitura de Ubatuba foi acionada para se manifestar sobre a decisão judicial e aguarda-se seu posicionamento oficial sobre as medidas determinadas pela Justiça.

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