Governador Ibaneis Rocha nega existência de nascentes na Serrinha do Paranoá
Ibaneis Rocha nega nascentes na Serrinha do Paranoá

Governador do Distrito Federal contradiz especialistas sobre área ambiental

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), fez uma declaração polêmica nesta sexta-feira (13) ao afirmar que a área da Serrinha do Paranoá, incluída no pacote de socorro financeiro ao Banco de Brasília (BRB), não possui nascentes. Esta afirmação vai diretamente contra o que vem sendo apontado por especialistas ambientais e estudos técnicos da região.

Conflito entre governo e ambientalistas se intensifica

Ibaneis Rocha classificou a controvérsia como resultado de uma "guerra de ambientalistas e de pessoas que são contra a solução dada ao Banco de Brasília". O governador foi enfático ao declarar: "Lá dentro do terreno, que era da Terracap, não existe uma nascente. Todas as explicações estão sendo prestadas. Era um projeto que já vinha sendo analisado desde o início da minha gestão em 2019, então nós temos convicção de que estamos no caminho correto".

No entanto, ambientalistas do Distrito Federal apresentam dados completamente diferentes. Segundo esses especialistas, um trecho da área conhecida como Serrinha do Paranoá é considerado um importante manancial hídrico não apenas para a capital federal, mas para toda a região Centro-Oeste do país. Estudos realizados pela comunidade local já mapearam mais de 100 nascentes na região, o que contradiz frontalmente as afirmações do governador.

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Características da área em disputa

A Serrinha do Paranoá está localizada entre as regiões do Varjão e do Paranoá, constituindo-se como uma extensa área de cerrado nativo preservado. De acordo com dados oficiais da Terracap, o terreno possui 716 hectares e está avaliado em impressionantes R$ 2,2 bilhões. Esta valoração explica em parte o interesse em incluir a área no pacote de socorro ao BRB, mas também aumenta as preocupações ambientais sobre o destino deste patrimônio natural.

OAB-DF questiona legalidade da operação

A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF) entrou oficialmente no debate, questionando a inclusão do trecho da Serrinha do Paranoá no pacote de socorro à instituição financeira. A entidade jurídica solicitou que, em um prazo máximo de cinco dias, sejam apresentados estudos e pareceres técnico-jurídicos que esclareçam completamente a real situação da área.

Uma análise preliminar realizada pela OAB-DF já indicou que as pendências e contradições sobre o caso geram um "severo comprometimento" da ideia de disponibilizar o trecho da Serrinha do Paranoá como um ativo imobiliário para o resgate do banco. Esta posição da entidade representa mais um capítulo na crescente tensão entre o governo distrital e setores da sociedade civil preocupados com a preservação ambiental.

O impasse sobre a Serrinha do Paranoá revela um conflito profundo entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental no Distrito Federal. Enquanto o governo insiste na ausência de nascentes e na legalidade do processo, ambientalistas e agora a OAB-DF exigem transparência e comprovação científica sobre o real valor ecológico da área. A disputa promete continuar acirrada nas próximas semanas, com possíveis desdobramentos jurídicos e políticos.

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