Governo federal conclui Plano Clima, principal ferramenta para política ambiental do Brasil
Governo conclui Plano Clima, ferramenta central para política ambiental

Governo federal conclui etapa final do Plano Clima sob liderança de Marina Silva

O governo federal finalizou nesta segunda-feira, 16 de dezembro, a última etapa do Plano Clima, principal instrumento para estruturar a política climática do Brasil. A conclusão pelo Ministério do Meio Ambiente, chefiado por Marina Silva, ocorre a aproximadamente nove meses do término do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Documento transforma metas climáticas em ações concretas

A ministra Marina Silva afirma que o plano é o principal mecanismo para coordenar ações tanto em situações de normalidade quanto de crise, como em eventos climáticos extremos. O documento serve como ferramenta essencial para transformar em ações concretas as metas climáticas assumidas pelo Brasil na Contribuição Nacionalmente Determinada apresentada em novembro de 2024 durante a COP29, em Baku, no Azerbaijão.

Em dezembro do ano passado, o governo já havia aprovado as estratégias nacionais de adaptação e mitigação, além dos planos setoriais. Para concluir o Plano Clima, faltava apenas a aprovação do eixo de ação climática, que reúne medidas para enfrentar a chamada "injustiça climática" – quando os impactos das mudanças climáticas atingem mais quem menos contribuiu para causá-las, como populações pobres e vulneráveis.

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Estrutura abrangente com múltiplos setores envolvidos

Essa última etapa também inclui mecanismos para ampliar a participação de mulheres nas políticas ambientais e indica fontes de financiamento para a implementação das ações. O plano foi elaborado com apoio do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima, colegiado que reúne diferentes ministérios, incluindo Meio Ambiente, Economia, Energia, Agricultura, Cidades e Infraestrutura.

O Plano Clima representa a estratégia do governo brasileiro para orientar as ações do país no enfrentamento às mudanças climáticas nas próximas décadas. O documento reúne medidas de:

  • Mitigação: voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa e à diminuição da intensidade do aquecimento global
  • Adaptação: que buscam preparar cidades, infraestrutura, agricultura e outros setores para os impactos já previstos da mudança do clima

Setores específicos contemplados nos eixos de ação

O plano estabelece diretrizes para políticas públicas, metas de redução de emissões, mecanismos de financiamento e a participação de diferentes áreas do governo e da sociedade, alinhando o Brasil aos compromissos internacionais assumidos no combate à crise climática.

No eixo de mitigação, o plano envolve oito setores principais:

  1. Uso da terra em áreas públicas e territórios coletivos
  2. Uso da terra em áreas rurais privadas
  3. Agricultura e pecuária
  4. Indústria
  5. Energia
  6. Transportes
  7. Cidades
  8. Resíduos sólidos e efluentes domésticos

Já o eixo de adaptação contempla dezesseis setores distintos:

  1. Agricultura e pecuária
  2. Agricultura familiar
  3. Biodiversidade
  4. Cidades
  5. Energia
  6. Indústria e mineração
  7. Igualdade racial e combate ao racismo
  8. Oceano e zona costeira
  9. Povos e comunidades tradicionais
  10. Povos indígenas
  11. Redução e gestão de riscos e desastres
  12. Recursos hídricos
  13. Saúde
  14. Segurança alimentar e nutricional
  15. Transportes
  16. Turismo

Resistência de setores e avaliação de especialistas

Os setores de agropecuária e energia estavam entre os que mais questionavam a distribuição das metas de redução de emissões e os possíveis impactos econômicos das medidas previstas. Ainda assim, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, já afirmou publicamente que o plano atendeu às demandas do setor. Simultaneamente, a exploração de combustíveis fósseis segue sendo defendida por integrantes do governo, que a consideram relevante no processo de transição energética.

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O Observatório do Clima, rede de pesquisadores e organizações da sociedade civil que acompanha a política climática brasileira, avaliou que o Plano Clima apresenta avanços significativos, mas ainda contém lacunas importantes. A entidade aponta que o documento é considerado genérico em alguns pontos, com falta de cronograma detalhado e de estimativas mais claras de financiamento.

Além disso, especialistas da rede criticam o fato de o plano não definir de forma mais explícita o fim da exploração de combustíveis fósseis, considerado um ponto central para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. A conclusão do Plano Clima marca um momento crucial na política ambiental brasileira, estabelecendo diretrizes que deverão guiar as ações do país nos próximos anos frente aos desafios climáticos globais.