O Serviço Federal de Inteligência da Suíça anunciou que abrirá os arquivos secretos sobre o criminoso de guerra nazista Josef Mengele, conhecido como o 'Anjo da Morte', que fugiu da Europa após a Segunda Guerra Mundial e morreu no Brasil em 1979. Durante anos, historiadores tentaram acessar esses documentos, mas as autoridades suíças negavam os pedidos, alegando razões de segurança nacional.
Quem foi Josef Mengele?
Médico da Waffen-SS, Mengele serviu no campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia ocupada pelos nazistas. Ele selecionava prisioneiros para as câmaras de gás e realizava experimentos médicos sádicos, principalmente em crianças e gêmeos. Estima-se que 1,1 milhão de pessoas morreram em Auschwitz, incluindo cerca de um milhão de judeus.
Fuga e conexão com a Suíça
Após a guerra, Mengele obteve documentos falsos da Cruz Vermelha no consulado suíço em Gênova e fugiu para a América do Sul. Em 1956, ele passou férias esquiando nos Alpes suíços com seu filho. Em 1961, a inteligência austríaca alertou a Suíça de que Mengele poderia estar viajando com nome falso e sua esposa havia alugado um apartamento em Zurique.
Sigilo de décadas
Em 2019, a historiadora Regula Bochsler solicitou acesso aos arquivos, mas foi negado. Em 2025, o historiador Gérard Wettstein também teve o pedido recusado e recorreu à Justiça. Após campanha de financiamento coletivo, o serviço de inteligência suíço mudou de posição e prometeu acesso, sujeito a condições.
Especialistas acreditam que os arquivos podem conter informações sobre contatos com o Mossad, que caçava nazistas. A Suíça tem histórico de sensibilidade sobre seu papel na guerra, quando recusou refugiados judeus e bancos suíços mantiveram dinheiro de vítimas do Holocausto.
Mengele morreu no Brasil em 1979 e foi enterrado sob nome falso. Seu corpo foi exumado em 1985 e confirmado por DNA em 1992. Resta saber se os arquivos suíços finalmente esclarecerão se ele esteve no país em 1961.



