PL surpreende com manobra para eleger novo presidente da Alerj nesta quinta-feira
O cenário político da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) foi abalado por uma decisão inesperada do presidente em exercício, Guilherme Delaroli (PL). Em uma manobra que pegou parlamentares de surpresa, Delaroli convocou para as 14h15 desta quinta-feira, 26 de março de 2026, a eleição para o novo comando da Casa, sem a discussão prévia que seria realizada no colégio de líderes.
Oposição protesta e ameaça judicializar processo
A medida é amplamente vista como uma estratégia do Partido Liberal para eleger Douglas Ruas (PL) como presidente, substituindo Rodrigo Bacellar (União Brasil), que foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A assessoria de Delaroli justificou a convocação alegando que a Alerj recebeu a notificação do TSE e agiu devido à vacância na presidência.
Entretanto, a oposição contesta veementemente a legalidade do processo. O deputado Carlos Minc (PSB) argumenta que, segundo o regimento interno, uma vez declarada a vacância, a eleição deve ocorrer dentro de cinco sessões, o que não aconteceu. "Nem sabemos ainda quem serão os candidatos", afirmou Minc, destacando que a vacância sequer foi publicada oficialmente.
Controvérsias legais e tensão política
Minc reforçou que, tecnicamente, deveria haver um intervalo de 24 horas entre a publicação da vacância e a convocação da sessão eleitoral, um protocolo que não foi seguido. Representantes do PSD, alinhados ao prefeito Eduardo Paes, já sinalizaram a possibilidade de judicializar o processo, o que pode prolongar a disputa e aumentar a instabilidade política na Alerj.
Paralelamente, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) anunciou que publicará nesta quinta-feira o edital sobre a retotalização dos votos para deputado, decorrente da cassação de Bacellar. Este movimento legal adiciona uma camada extra de complexidade ao cenário, pois pode influenciar a composição partidária e as alianças dentro da assembleia.
A convocação repentina da eleição, sem o devido debate no colégio de líderes, foi cancelada por Delaroli, intensificando as críticas sobre transparência e democraticidade do processo. A manobra do PL, portanto, não apenas define uma corrida eleitoral acelerada, mas também expõe fissuras profundas no legislativo fluminense, com repercussões que podem se estender além desta quinta-feira.



