Morre aos 60 anos Jorge Babu, ex-deputado criador do feriado de São Jorge
Ex-deputado Jorge Babu, criador do feriado de São Jorge, morre aos 60

Morre aos 60 anos Jorge Babu, ex-deputado criador do feriado de São Jorge

O ex-vereador e ex-deputado estadual Jorge Luis Hauat, conhecido como Jorge Babu, faleceu no domingo, 8 de fevereiro de 2026, aos 60 anos de idade. A causa da morte não foi divulgada publicamente, deixando um mistério em torno do óbito do político que tinha uma forte base eleitoral na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Trajetória política marcada por conquistas e controvérsias

Jorge Babu iniciou sua carreira como policial civil e transitou por diferentes partidos ao longo da vida. Ele foi eleito vereador pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em 2004, ficando amplamente reconhecido pelo projeto de lei que instituiu o feriado de São Jorge no calendário oficial. Essa conquista lhe rendeu popularidade entre os eleitores, especialmente na região onde atuava.

No entanto, a trajetória política de Babu foi profundamente marcada por uma série de investigações e prisões que mancharam sua imagem pública. Em 2004, mesmo ano de sua eleição, ele foi preso pela Polícia Federal durante uma operação que flagrou uma rinha de galos, prática considerada crime ambiental e proibida por lei.

Processos disciplinares e expulsões partidárias

As polêmicas envolvendo o ex-deputado culminaram em um processo de expulsão do PT ainda em 2004. Inicialmente, ele foi afastado das atividades partidárias, mas posteriormente a punição foi reduzida para uma suspensão temporária de 45 dias. Paralelamente, a Corregedoria da Polícia Civil abriu uma sindicância para analisar a conduta do vereador, que acumulava as funções de policial e político.

Em 2005, Babu foi denunciado pelo Ministério Público à Justiça por formação de quadrilha e concussão. A denúncia apontava a existência de um grupo com livre trânsito na 1ª Vara da Infância e da Juventude do Rio, com o objetivo de obter informações privilegiadas sobre fiscalizações e negociar alvarás de forma irregular. Segundo as investigações, Babu atuava como intermediário nessas operações.

Eleição como deputado e novas acusações

Apesar do desgaste político, Jorge Babu conseguiu ser eleito deputado estadual pelo PT em 2006, demonstrando a força de sua base eleitoral. Dois anos depois, em 2008, ele foi novamente denunciado, desta vez pelo Ministério Público Federal (MPF), por formação de quadrilha e extorsão. As acusações incluíam a chefia de um grupo de milícia na Zona Oeste do Rio, aumentando ainda mais as suspeitas sobre suas atividades.

Em 2009, após uma série de processos internos, o PT expulsou Babu do partido por unanimidade, encerrando definitivamente sua ligação com a legenda. No ano seguinte, em 2010, ele tentou a reeleição pelo Partido Trabalhista Nacional, atual Podemos, mas teve o registro de candidatura negado pela Justiça Eleitoral. Nesse mesmo período, foi demitido do cargo de inspetor de polícia, perdendo também sua posição na corporação.

Tentativa de retorno e cassação pela Lei da Ficha Limpa

Já em 2024, duas décadas após ser eleito pela primeira vez, Jorge Babu tentou voltar à cena política como candidato a vereador do Rio pelo União Brasil. Embora tenha conquistado mais de 10 mil votos, demonstrando que ainda mantinha apoio popular, a Justiça Eleitoral cassou seu registro com base na Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de políticos condenados por certos crimes.

Em novembro daquele ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou seu último recurso, enterrando oficialmente sua vida política. A morte de Babu aos 60 anos encerra um capítulo complexo da política carioca, mesclando legados positivos, como a criação do feriado de São Jorge, com uma história repleta de investigações e condenações que refletem os desafios da ética na esfera pública.