Artefato explosivo ligado à Revolução de 1932 é encontrado em rio de São José dos Campos
Artefato da Revolução de 1932 achado em rio de São José mobiliza PM e Gate

Artefato explosivo histórico é encontrado em rio de bairro nobre de São José dos Campos

Um artefato explosivo descoberto no Rio Paraíba do Sul, na região do Urbanova, na manhã de terça-feira (3), em São José dos Campos, mobilizou equipes de segurança e pode ter uma ligação direta com a Revolução Constitucionalista de 1932. Este conflito histórico representou uma guerra entre São Paulo e o Governo Federal, marcando a resistência ao autoritarismo de Getúlio Vargas.

Operação de segurança e interdição de via

O artefato foi localizado por um homem que praticava pesca magnética, uma atividade que utiliza ímãs para encontrar objetos submersos. A descoberta levou à imediata interdição de uma das principais avenidas do Urbanova, um bairro de luxo da cidade, causando transtornos no trânsito local. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) foi acionado e realizou a detonação controlada do objeto, garantindo a segurança da área.

Contexto histórico e participação do Vale do Paraíba

Segundo historiadores consultados, o achado pode estar relacionado à participação do Vale do Paraíba na Revolução de 1932. Carlos Alberto Fernandes, historiador, explica que, como a guerra envolveu civis, parte do armamento acabou fora do controle militar, sendo descartado em rios ao longo do tempo. "É a maneira mais segura de dar um fim, né? Tem muitas armas que as pessoas jogaram no rio. O rio sempre foi utilizado para isso, descartar alguma coisa. Não só armas, como até o esgoto", afirmou.

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Fernandes destaca ainda que enchentes e a prática de pesca magnética têm contribuído para que esses objetos históricos apareçam com maior frequência. "Para nós, assim, são importantes esses achados, porque vão estar mantendo viva uma memória que a gente acaba se perdendo com o tempo", ressaltou.

Dinâmica militar e outros casos similares

O professor doutor em História Felipe Victor Lima, da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), afirma que a Revolução de 1932 foi o único conflito de grande proporção registrado na região. "Até onde a gente sabe, a única guerra na região foi a guerra civil paulista de 32 contra Getúlio Vargas. A guerra teve o Vale e a Serra da Mantiqueira como palco das principais batalhas".

Segundo ele, a presença de artefatos em rios também pode estar ligada à dinâmica militar da época, já que o rio era um espaço importante para movimentação de tropas e abastecimento. "O rio era espaço importante para movimentação das tropas e abastecimento. A ferrovia acompanha o rio, então o deslocamento passava por ali".

O professor lista diferentes tipos de explosivos que podem ser encontrados em áreas de confronto:

  • Morteiros
  • Bombas aéreas usadas na artilharia
  • Granadas
  • Cartuchos de armas como metralhadoras e revólveres

Apesar de São José dos Campos não ter sido um dos principais palcos de batalha, Felipe afirma que o achado não é impossível. "São José não foi palco de muitas batalhas, então causa surpresa. Mas não é difícil por conta da região e do curso do rio".

Registro de casos anteriores na região

Este não é o primeiro caso do tipo no Vale do Paraíba. Em fevereiro do ano passado, um homem que pescava com ímãs no Rio Paraíba do Sul encontrou um morteiro em Pindamonhangaba, levando à interdição do trânsito na ponte da rodovia Doutor Caio Gomes por cerca de três horas. Militares do Exército foram acionados para remover e detonar o artefato.

Em julho de 2024, outro homem encontrou uma granada no mesmo rio, sob uma ponte em Tremembé, durante a prática de pesca magnética. O Gate foi acionado e realizou a explosão do artefato, identificado como sendo da Segunda Guerra Mundial.

Já em abril de 2023, uma bomba foi localizada por um pescador na Ponte Velha, que dá acesso ao bairro Vila Menino Jesus, em Caçapava. O Gate também atendeu a ocorrência e realizou a detonação do explosivo.

Esses incidentes destacam a importância da vigilância e da atuação rápida das equipes de segurança, além de revelarem fragmentos da história regional que continuam a emergir das águas do Rio Paraíba do Sul.

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