O Pentágono atualizou nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, o custo total da guerra contra o Irã para US$ 29 bilhões (cerca de R$ 142 bilhões), valor que supera em US$ 4 bilhões o montante anunciado há menos de duas semanas pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, ao Congresso dos Estados Unidos.
Revisão de custos e justificativas
Jay Hurst, controlador do Pentágono, explicou durante uma audiência do Comitê de Orçamento da Câmara que a estimativa anterior era de US$ 25 bilhões, mas que revisões constantes feitas pela equipe conjunta e pelo setor de controle levaram ao novo patamar. Segundo Hurst, o aumento se deve a custos atualizados de reparo e substituição de equipamentos, bem como despesas operacionais para manter as tropas no teatro de operações.
Questionado sobre a possibilidade de fornecer um relatório formal mais detalhado ao Congresso, Hegseth afirmou que o Pentágono compartilharia informações “quando fosse relevante e necessário”.
Gastos iniciais e críticas do Congresso
No mês passado, o Pentágono já havia comunicado ao Legislativo que a primeira semana de conflito custou pelo menos US$ 11,3 bilhões (quase R$ 60 bilhões), o que equivale a mais de US$ 1,6 bilhão por dia. Esse valor não inclui despesas de preparação dos ataques, indicando que o custo real pode ser ainda maior.
Congressistas criticam o governo do presidente Donald Trump por não ter consultado o Congresso antes de iniciar a guerra. Deputados tentaram aprovar resoluções para limitar os poderes do republicano no conflito, mas as medidas não avançaram.
Rejeição de proposta de paz
Na segunda-feira, Trump rejeitou a última proposta de paz iraniana, classificando-a como “totalmente inaceitável”. O cessar-fogo em vigor desde 8 de abril encontra-se em estado crítico, aumentando a incerteza sobre o desfecho do conflito.
Comparativo com outros conflitos
O projeto Custos da Guerra, da Universidade Brown, fornece dados sobre gastos militares americanos em diferentes guerras:
- Operação Lança do Sul e Operação Resolução Absoluta na Venezuela: US$ 4,7 bilhões (de agosto de 2025 a março de 2026)
- Guerra em Gaza (2023-2025): US$ 21,7 bilhões em ajuda militar a Israel
- Guerra na Ucrânia (desde 2022): US$ 188 bilhões em ajuda aprovada, mais US$ 20 bilhões em empréstimos (até final de 2025)
- Guerra no Afeganistão (2001-2019): mais de US$ 2 trilhões
- Iraque/Síria (2003-2023): mais de US$ 2,89 trilhões, incluindo obrigações futuras com veteranos
- Guerra do Vietnã (1955-1975): US$ 844 bilhões
- Segunda Guerra Mundial (1939-1945): US$ 4,7 trilhões (EUA entraram em 1941)
- Primeira Guerra Mundial (1914-1918): US$ 582 bilhões (EUA entraram em 1917)
A escalada dos gastos e a falta de transparência continuam gerando tensão entre o Executivo e o Legislativo americanos.



