Combate ao crime: agendas ocultas inviabilizam sucesso, diz delegado
Agendas ocultas inviabilizam combate ao crime organizado

O presidente Lula lança nesta terça-feira, 12 de maio, o programa “Brasil contra o crime organizado”, com investimento de R$ 11 bilhões. A iniciativa é positiva, mas tardia e eleitoreira, a apenas cinco meses do fim do mandato. Lula sabia desde 2022 que a segurança é a maior preocupação do eleitorado, mas a situação já era desastrosa em janeiro de 2023, com o crime organizado avançando sobre mercados e o Estado.

Crítica ao timing e à falta de foco

Para Jorge Pontes, delegado da Polícia Federal e ex-membro do Comitê Executivo da Interpol, a “arrancada” aos 44 minutos do segundo tempo é risível. Ele ressalta que o bom trabalho da PF não gera créditos ao governo, pois é órgão de Estado. O mais importante é não combater apenas um quadrante da criminalidade: “Não vamos lograr êxito no enfrentamento ao crime organizado se não combatermos a corrupção sistêmica de agentes políticos”. É preciso investigar, processar e punir o crime institucionalizado, independentemente da estatura da autoridade.

Virtude e integridade são fundamentais

Além de coragem e determinação, Pontes defende virtude, integridade e autoridade moral. “Criminoso, mesmo em cargo oficial, não combate o crime; faz teatro, com risco de anulações quando as agendas ocultas forem desveladas.” O escândalo do Banco Master revelou dezenas de altas autoridades pagas pelo executivo Daniel Vorcaro, um caso de delinquência institucionalizada. Muitos ministros, juízes e políticos tinham agendas ocultas que faturavam muito mais que os salários públicos.

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  • Serviço público não pode enriquecer ninguém; se houver enriquecimento, é ilícito.
  • Agentes públicos não podem ter fetiche por jatos privados.
  • Hidden agendas impedem a entrega de bons serviços nos cargos oficiais.

Caso Sérgio Cabral e a necessidade de blindar instituições

O ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, quase obteve bons resultados na segurança com as UPPs, mas tudo se perdeu quando transformou o Palácio Guanabara em máquina de corrupção. Enquanto não houver investimento pesado para limpar e blindar as instituições, enquanto o povo votar em corruptos que indicam magistrados corruptos, e enquanto rachadinhas forem tratadas como problemas menores, não haverá avanço.

“Se a agenda precisa ser ocultada, não é coisa boa. Agentes públicos com agendas ocultas são disfuncionais e apontam para a erosão das instituições.” O crime se enfrenta de cima para baixo, começando pelos mais poderosos. O resto é conversa fiada ou pirotecnia eleitoreira.

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