Brasileiros são identificados entre mortos em combate na Ucrânia
Autoridades da Ucrânia identificaram um grupo de cidadãos brasileiros entre os soldados mortos em uma frente de combate no leste ucraniano, conforme reportagem publicada nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, pela agência de notícias russa RIA Novosti. Os brasileiros, segundo informações da imprensa russa, seriam parte da Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia, braço das Forças Armadas da Ucrânia que reúne voluntários estrangeiros de diversos países.
Detalhes sobre o incidente e contexto do conflito
O grupo, que não teve suas identidades reveladas publicamente, teria morrido durante combates intensos nas proximidades de Kupiansk, uma área que atualmente se encontra sob controle das forças russas. Este episódio ocorre em meio ao conflito que já dura quatro anos, desencadeado pela invasão russa à Ucrânia em fevereiro de 2022.
Um balanço oficial enviado por autoridades ucranianas ao governo brasileiro afirma que pelo menos 22 cidadãos brasileiros perderam a vida durante a guerra no país. No entanto, é extremamente difícil obter números precisos sobre quantos brasileiros foram recrutados e estão atualmente atuando nos campos de batalha pelo lado ucraniano.
Iniciativa de recrutamento ucraniana e alertas do governo brasileiro
No ano passado, o Ministério da Defesa da Ucrânia lançou uma iniciativa específica para convocar sul-americanos, incluindo brasileiros, a se alistarem no Exército do país. Em material de divulgação, o governo ucraniano destacou que "recentemente, o número de voluntários de diferentes países aumentou 2,5 vezes" e que fornece "tudo o que precisam", incluindo alimentação, vestuário, equipamento de proteção, armamento e remuneração financeira.
Em resposta a esta situação, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil publicou nota oficial no ano passado desaconselhando fortemente a ida de cidadãos brasileiros a zonas de conflito. O documento alerta para situações em que voluntários, após se alistarem, enfrentam dificuldades significativas para interromper sua participação nos combates e que a assistência consular pode ser severamente limitada por contratos firmados com forças estrangeiras.
Contexto mais amplo do conflito e números de baixas
Na semana passada, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, revelou pela primeira vez em mais de um ano o número de soldados mortos pela Rússia durante a guerra. Em entrevista à emissora France 2 na quarta-feira, 4 de fevereiro, ele afirmou que 55 mil militares, entre recrutas e profissionais, já perderam a vida em combate.
Uma análise independente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington, publicada em 27 de janeiro, estimou em 1,2 milhão o número de soldados russos mortos, enquanto a Ucrânia teria perdido aproximadamente 600 mil combatentes. Estes números contrastam significativamente com as estimativas oficiais divulgadas por ambos os lados do conflito.
Riscos legais para brasileiros envolvidos
O Ministério das Relações Exteriores brasileiro deixou claro em sua nota que não há obrigatoriedade do poder público em custear o retorno de cidadãos no exterior que se alistaram em exércitos estrangeiros. Além disso, brasileiros alistados em forças armadas de outros países podem estar sujeitos à persecução penal, tanto em cortes internacionais quanto no Brasil.
O documento cita especificamente o artigo 7º do Código Penal brasileiro, que prevê a aplicação da lei nacional a ilícitos cometidos por cidadãos brasileiros no exterior quando houver obrigação internacional do país em prevenir ou impedir tais condutas. Esta posição reforça a recomendação oficial para que convites ou ofertas de trabalho ou participação em exércitos estrangeiros sejam recusadas por cidadãos brasileiros.