UE e Ucrânia anunciam boicote a Jogos Paralímpicos por presença de bandeiras russa e bielorrussa
Boicote a Jogos Paralímpicos por bandeiras russa e bielorrussa

UE e Ucrânia anunciam boicote a Jogos Paralímpicos por presença de bandeiras russa e bielorrussa

A decisão do Comitê Paralímpico Internacional (CPI) de permitir que atletas da Rússia e de Belarus compitam com suas bandeiras nacionais nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina, em março, desencadeou uma onda de protestos e anúncios de boicote por parte de autoridades da União Europeia e da Ucrânia nesta quarta-feira (18).

Protestos contra símbolos nacionais em meio à guerra

O político maltês Glenn Micallef, responsável pelo Esporte da União Europeia, expressou sua forte oposição nas redes sociais, afirmando que não pode apoiar o restabelecimento de símbolos nacionais como bandeiras, hinos e uniformes enquanto a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia continuar. Micallef considerou "inaceitável" que os atletas desses países tenham sido convidados sem passar por provas classificatórias, destacando que esses símbolos são indissociáveis do conflito em curso.

Em resposta imediata, o ministro ucraniano do Esporte, Matvii Bidny, anunciou que os dirigentes de seu país não participarão de nenhum evento oficial dos Jogos Paralímpicos de Inverno, incluindo a cerimônia de abertura. Bidny descreveu a presença das bandeiras russa e bielorrussa como "escandalosa", argumentando que esses símbolos representam regimes que transformaram o esporte em ferramenta de guerra, mentira e desprezo.

Críticas à reintegração esportiva e propaganda de guerra

O ministro Bidny foi além em suas críticas, afirmando que o esporte paralímpico na Rússia se tornou um pilar para pessoas enviadas por Vladimir Putin à Ucrânia, muitas das quais retornaram feridas e com deficiência. Ele denunciou que dar uma plataforma a esses atletas significa dar voz à propaganda de guerra, enfatizando que as bandeiras não devem estar em eventos internacionais que defendam valores como igualdade e respeito.

O ministro ucraniano das Relações Exteriores, Andrii Sybiga, reforçou a posição ao instruir embaixadores a incentivar outros países a adotarem medidas semelhantes de boicote, buscando ampliar o protesto contra a participação russa e bielorrussa.

Decisão do CPI e reações dos comitês paralímpicos

Na terça-feira (17), Craig Spence, representante do Comitê Paralímpico Internacional, anunciou à AFP que russos e bielorrussos competirão com seus símbolos nacionais, diferentemente dos Jogos Olímpicos atuais, onde participam sob bandeira neutra. O CPI concedeu seis convites à Rússia e quatro a Belarus, com o Comitê Paralímpico Russo já divulgando nomes de atletas selecionados, incluindo paraesquiadores alpinos de destaque como Alexei Bugaev e Varvara Voronchikhina.

Valery Sushkevich, presidente do Comitê Paralímpico Ucraniano, expressou indignação com a notícia, mas rejeitou um boicote dos atletas ucranianos, temendo que Vladimir Putin pudesse interpretá-lo como uma vitória russa. A cerimônia de abertura está marcada para 6 de março, com encerramento em 15 do mesmo mês.

Esta decisão representa um passo significativo rumo à reintegração esportiva da Rússia e de Belarus, países banidos do cenário internacional desde a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, que contou com o apoio bielorrusso. O conflito continua a influenciar profundamente as relações no mundo esportivo, com debates acalorados sobre ética e política.