Cinegrafista amazonense é ferido por estilhaços de míssil na guerra da Ucrânia
Amazonense ferido por míssil na Ucrânia; vídeo

Cinegrafista do Amazonas é ferido por estilhaços de míssil na guerra da Ucrânia

O cinegrafista amazonense Renato Belém, de 39 anos, natural de Manaus, encontra-se internado em um hospital após ser gravemente ferido por estilhaços de um míssil durante uma operação militar na guerra da Ucrânia. O profissional deixou sua cidade natal em setembro de 2024 para se juntar voluntariamente ao exército ucraniano, demonstrando um ato de coragem em meio ao conflito internacional. Segundo informações divulgadas pelo próprio cinegrafista, seu estado de saúde é considerado estável, mas a recuperação ainda está em andamento.

Ataque ocorreu em Zaporíjia, uma das regiões mais perigosas

O incidente que vitimou Renato Belém aconteceu na madrugada do dia 30 de janeiro, na região de Zaporíjia, uma das áreas mais intensamente afetadas e perigosas da guerra na Ucrânia. Esta localidade tem sido palco de confrontos constantes, com o uso frequente de drones kamikazes, minas terrestres e bombardeios pesados, o que transforma qualquer missão terrestre em uma empreitada de alto risco. A guerra na Ucrânia teve início em fevereiro de 2022, quando a Rússia lançou uma invasão em larga escala, resultando em milhares de mortos, milhões de refugiados e uma devastação significativa de cidades e infraestruturas. Enquanto a Ucrânia recebe apoio militar e econômico de nações ocidentais, a Rússia enfrenta uma série de sanções internacionais devido às suas ações.

Missão perigosa e os detalhes do ataque

Renato Belém relatou que seu pelotão estava avançando por uma zona extremamente perigosa, repleta de campos minados e sob ataques constantes de artilharia e drones inimigos. A missão original previa um percurso de oito quilômetros, mas devido aos imensos riscos e à necessidade de paradas estratégicas, o trajeto acabou levando cinco dias inteiros para ser concluído. Durante esse avanço cauteloso, o grupo se abrigava em bunkers para descansar antes de continuar a jornada.

Foi nesse contexto que um míssil explodiu nas proximidades do esquadrão, lançando os soldados ao chão com força brutal. Renato foi atingido por estilhaços na coxa e na panturrilha, sofrendo uma perda significativa de sangue que exigiu atendimento médico imediato. Infelizmente, o ataque também resultou em ferimentos em outro combatente e na morte de um integrante do grupo, evidenciando a letalidade do cenário de guerra.

Resgate heroico e recuperação em hospital especializado

Mesmo ferido e enfrentando fraqueza extrema, Renato Belém demonstrou bravura ao ajudar na retirada de um colega também atingido durante o ataque. O grupo, então, percorreu aproximadamente seis quilômetros até alcançar um ponto de retirada, onde foram resgatados por um veículo blindado. “Perdi muito sangue, tive fraqueza, quase desmaiei. Mas conseguimos voltar. Só agradecer a Deus por estar com vida. Falta pouco pra eu ter alta”, declarou o cinegrafista, expressando gratidão pela sobrevivência.

Atualmente, Renato continua internado em um hospital destinado especificamente a combatentes feridos, onde sua recuperação avança de forma positiva. Ele enfatiza que, apesar dos ferimentos, seu estado de saúde é estável e está ansioso pela alta médica. “Eu estava na liderança do esquadrão. Fui ferido por estilhaço. Outro irmão meu foi ferido no pé. E infelizmente a gente teve uma baixa”, completou, refletindo sobre os momentos difíceis vividos no front.

Zaporíjia: epicentro de conflitos intensos e riscos elevados

A região de Zaporíjia permanece como um dos principais focos da guerra na Ucrânia, caracterizada por batalhas intensas e um ambiente de extrema tensão. Além dos constantes ataques com drones e artilharia, a área abriga infraestrutura crítica e está próxima da maior usina nuclear da Europa, o que aumenta consideravelmente o risco de incidentes graves com consequências catastróficas. Nos últimos meses, alvos como hospitais, prisões e áreas residenciais têm sido bombardeados, resultando em mortes e ferimentos entre a população civil e reforçando a percepção de que Zaporíjia é uma linha de frente estratégica no conflito.

A ofensiva russa na região é interpretada por Kiev como uma tentativa de enfraquecer a resistência ucraniana e intimidar civis, com autoridades locais frequentemente denunciando supostos crimes de guerra. Este cenário perigoso serve como um alerta para cidadãos brasileiros que, como Renato Belém, decidem se alistar em exércitos estrangeiros, expondo-se a riscos extremos em zonas de conflito internacional. A história do cinegrafista amazonense ilustra não apenas os perigos enfrentados por combatentes, mas também a complexidade e a brutalidade da guerra na Ucrânia, que continua a impactar vidas ao redor do mundo.