Ajuda militar à Ucrânia atinge menor nível desde início do conflito com a Rússia em 2025
O centro de pesquisa alemão Instituto Kiel divulgou nesta quarta-feira (11) um relatório alarmante sobre a assistência internacional à Ucrânia. Segundo os dados compilados até dezembro de 2025, a ajuda militar dos aliados atingiu seu nível mais baixo desde o início da guerra contra a Rússia, financiada quase exclusivamente por países europeus após a retirada dos Estados Unidos.
Queda histórica no apoio militar
O Instituto Kiel dividiu a assistência dos aliados em duas vertentes principais: ajuda militar e apoio econômico-humanitário. No setor militar, o valor destinado à Ucrânia em 2025 foi o menor registrado desde o início do conflito — inferior até mesmo aos números de 2022, quando não houve apoio contínuo durante os doze meses do ano.
Os números revelam uma tendência preocupante:
- 2022: Cerca de R$ 200 bilhões em ajuda militar
- 2023: Cerca de R$ 246 bilhões em ajuda militar
- 2024: Cerca de R$ 215 bilhões em ajuda militar
- 2025: Cerca de R$ 188 bilhões em ajuda militar — com contribuição americana próxima de zero
Impacto da retirada norte-americana
A interrupção total da ajuda dos Estados Unidos no início de 2025, após o retorno de Donald Trump à Casa Branca, representou um ponto de virada crítico. Entre 2022 e 2024, Washington foi responsável por fornecer aproximadamente metade de toda a assistência militar enviada a Kiev, segundo as análises do instituto alemão.
"Sem o esforço compensatório dos países europeus, a queda no apoio à Ucrânia poderia ter sido ainda mais catastrófica", destaca o relatório. Os países europeus aumentaram sua contribuição em impressionantes 67% em 2025 em comparação com a média do período 2022-2024.
Disparidades regionais na Europa
O Instituto Kiel, no entanto, aponta "disparidades crescentes" entre os diferentes contribuintes europeus. Países do norte e do oeste da Europa concentraram cerca de 95% do apoio militar total, revelando uma distribuição geográfica desigual do esforço de guerra.
O norte da Europa, que representa apenas 8% do PIB combinado dos países doadores europeus, respondeu por 33% da ajuda militar europeia em 2025. Em contraste, o sul da Europa, com 19% do PIB, contribuiu com apenas 3% do apoio militar.
Ajuda econômica também em declínio
No setor econômico e humanitário, a situação não é muito mais animadora. Em 2025, os aliados destinaram a Kiev 36 bilhões de euros (cerca de R$ 225 bilhões) em ajuda econômica, valor 14% inferior ao montante de 2024, que chegou a 41,1 bilhões de euros (R$ 254,22 bilhões).
Evolução da assistência econômica:
- 2022: Cerca de R$ 220 bilhões em ajuda econômica e humanitária
- 2023: Cerca de R$ 210 bilhões em ajuda econômica e humanitária
- 2024: Cerca de R$ 275 bilhões em ajuda econômica e humanitária
- 2025: Cerca de R$ 225 bilhões em ajuda econômica e humanitária — com contribuição americana virtualmente zero
Mecanismos de compensação e avanços
Uma luz no fim do túnel vem do programa Purl, mecanismo criado pela Otan para financiar a compra de armamentos americanos para a Ucrânia. Em 2025, parte da ajuda militar, no valor de 3,7 bilhões de euros (R$ 22,89 bilhões), foi financiada pelos europeus através deste programa.
O Instituto Kiel considera este desenvolvimento um "avanço notável" no último ano, que permitiu, em especial, a aquisição de baterias de defesa antiaérea Patriot e sistemas lançadores de foguetes Himars — equipamentos essenciais para a defesa ucraniana.
A Ucrânia, que completará quatro anos de guerra contra a Rússia neste mês, continua profundamente dependente da ajuda militar e financeira de seus aliados. O relatório do Instituto Kiel serve como um alerta sobre a sustentabilidade do apoio internacional em um conflito que já se estende por anos e testa a resolução da comunidade ocidental.