Vídeo de arquibancada da Sapucaí gritando 'Lula, ladrão' é falso; áudio foi manipulado
Vídeo de Sapucaí com gritos 'Lula, ladrão' é falso e manipulado

Vídeo manipulado tenta criar falsa narrativa sobre recepção a Lula no Carnaval

Um vídeo que circulou intensamente nas redes sociais no domingo (15) durante o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro foi desmascarado como falso pela equipe de verificação de fatos. A gravação, que supostamente mostrava parte do público na arquibancada da Marquês de Sapucaí gritando "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão" para o presidente, na verdade foi manipulada digitalmente com a inserção de áudio artificial.

Como a falsificação foi identificada

O conteúdo viralizou rapidamente no TikTok, Instagram e X (antigo Twitter), acompanhado de uma caixa de texto que questionava: "E aí, TSE? Lula inelegível? Lula ainda foi vaiado, com direito a coro. Isso a Globo não mostra". No entanto, uma análise técnica detalhada revelou que o áudio com vaias e xingamentos não existe na gravação original.

Para desvendar a origem da manipulação, os verificadores fragmentaram o vídeo em diversos frames e realizaram uma busca reversa utilizando o Google Lens. Essa investigação levou diretamente à publicação original do portal Metrópoles no Instagram, compartilhada no mesmo domingo. A descrição autêntica do conteúdo esclarecia: "A plateia na arquibancada ovaciona o presidente Lula antes do início do desfile na Sapucaí".

Contexto político do desfile

O presidente Lula (PT) esteve presente no camarote da Prefeitura do Rio para assistir às apresentações do primeiro dia do Grupo Especial. A primeira escola a desfilar foi a Acadêmicos de Niterói, que apresentou um enredo intitulado "Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", dedicado à trajetória do mandatário.

Nos dias que antecederam o carnaval, este desfile específico foi alvo de pelo menos dez ações judiciais e recursos no Tribunal de Contas da União (TCU). Partidos e parlamentares da oposição argumentaram persistentemente que o enredo representava uma forma de propaganda eleitoral antecipada, gerando intenso debate político.

Na segunda-feira (16), a escola Acadêmicos de Niterói divulgou uma nota pública afirmando categoricamente que sofreu perseguições durante todo o processo de preparação para o carnaval devido exclusivamente à escolha do enredo temático. A agremiação, que era estreante na elite do carnaval neste ano, acabou sendo rebaixada após as avaliações dos jurados.

Reação oficial e desdobramentos

O presidente Lula, por sua vez, fez uma publicação em suas redes sociais com fotografias das quatro escolas que passaram pela Sapucaí naquela mesma noite histórica: além da Acadêmicos de Niterói, também desfilaram a Imperatriz Leopoldinense, a Portela e a Mangueira. A postagem não fez qualquer referência aos vídeos falsos que circulavam nas plataformas digitais.

Este caso exemplifica como conteúdos manipulados podem se espalhar rapidamente durante eventos de grande visibilidade nacional, criando narrativas falsas que buscam influenciar a percepção pública sobre figuras políticas. A verificação de fatos se mostra cada vez mais essencial para combater a desinformação que ameaça o debate democrático no país.