Trump adia prazo para ataques ao Irã em meio a negociações tensas sobre guerra e energia
Em mais um capítulo da complexa e nebulosa negociação entre Estados Unidos e Irã, visando uma trégua no conflito que assola o Oriente Médio, o ex-presidente americano Donald Trump declarou que vai estender sua moratória a ataques contra o sistema energético da teocracia até a segunda-feira após a Páscoa, 6 de abril. A medida foi anunciada, como é habitual, na rede social do político, a Truth Social, onde ele afirmou que "ao contrário do que diz a mídia das fake news", as conversas com o Irã "vão muito bem".
Recapitulação das ameaças e propostas rejeitadas
Recapitulando os eventos recentes, Trump havia ameaçado atacar o sistema de energia do país persa, uma promessa condicional caso o Irã não reabrisse o estreito de Hormuz, feita em um ultimato no sábado, 21 de março, que foi suspenso na segunda-feira, 23 de março, até o sábado, 28 de março. Através do Paquistão, o americano apresentou um plano de 15 pontos que incluía itens já aceitos pelo Irã em negociações anteriores, como a renúncia à bomba atômica, mas também diversos temas inaceitáveis para o regime, como o desmantelamento total de suas capacidades nucleares e de seu programa de mísseis ofensivos.
Nesta quinta-feira, o Irã deixou claro que rejeita a proposta, considerando-a "unilateral e injusta", segundo a agência de notícias Reuters, embora tenha mantido a porta aberta para futuras negociações. Por sua vez, a agência iraniana Tasnim informou que a teocracia já enviou, por meio de turcos e paquistaneses, sua visão maximalista para o fim do conflito, pedindo o fim da guerra, garantias concretas para evitar novos ataques, compensações pelos danos sofridos e a manutenção do controle sobre o estreito de Hormuz.
Posição nuclear e críticas públicas de Trump
A Tasnim não detalhou o que o Irã disse sobre seu programa nuclear, mas a posição do regime é conhecida até agora: recusa-se a abrir mão da capacidade de enriquecimento de urânio. Antes do novo adiamento do ultimato, Trump criticou o Irã na mesma rede social, escrevendo que "os negociadores iranianos são muito diferentes e estranhos" e que "estão nos implorando para fazer um acordo, mas publicamente dizem que estão só 'olhando para nossa proposta'". Ele acrescentou, em suas usuais maiúsculas, que "é melhor eles levarem a sério agora, antes que seja tardiamente, porque quando aquilo acontecer, NÃO HAVERÁ VOLTA, e não será bonito".
Mais tarde, em uma reunião na Casa Branca, Trump disse a repórteres que não descarta "ficar com o petróleo do Irã" e afirmou: "Vamos ver se eles querem [um acordo]. Se não, nós somos o pior pesadelo deles. No meio-tempo, nós vamos simplesmente explodi-los". Essa postagem surpreendente sugere que o americano pode estar apenas ganhando tempo, como já temiam os iranianos.
Preparações militares e impacto no mercado de petróleo
Além dos eventuais ataques ao sistema energético, os Estados Unidos se preparam para a hipótese de ações terrestres ou ameaçam isso, com o cenário elevando o preço do petróleo para US$ 105 o barril Brent. Nesta sexta-feira, 27 de março, deverá chegar à região o primeiro grupo de 2.500 fuzileiros navais em uma flotilha, enquanto outro grupo está previsto para chegar até o fim da próxima semana, a tempo do novo ultimato. Há relatos de que até 2.000 paraquedistas de elite do Exército também podem ser mobilizados.
A especulação gira em torno de um possível ataque à ilha de Kharg, centro de exportação de 90% do petróleo do Irã, embora seja uma ação considerada arriscada. Outra hipótese é tentar tomar trechos da costa de Hormuz, igualmente perigosa e insustentável no médio prazo. Essas movimentações militares e as incertezas nas negociações continuam a alimentar a tensão internacional, com implicações significativas para a estabilidade regional e os mercados globais.



