Trump rebate acusações e afirma que Irã está 'implorando' por negociação
Em um discurso contundente durante reunião de gabinete na Casa Branca nesta quinta-feira, 26 de março de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou veementemente as sugestões de que estaria pressionando por um cessar-fogo para sair rapidamente da guerra no Oriente Médio. Em vez disso, ele afirmou que é o Irã quem está "implorando por um acordo", demonstrando uma postura firme diante das tensões geopolíticas que assolam a região.
O 'presente' iraniano no Estreito de Ormuz
Trump mencionou especificamente a passagem de dez petroleiros pelo estratégico Estreito de Ormuz, classificando-a como um "presente" em sinal de boa fé do regime iraniano. Esta rota marítima é crucial para a economia global, concentrando aproximadamente 20% do petróleo e gás consumidos no planeta. O presidente americano detalhou que inicialmente não deu muita importância ao fato, mas depois observou notícias destacando a movimentação incomum dos navios, muitos deles de bandeira paquistanesa.
"Só para deixar claro, porque tenho acompanhado as notícias falsas do Wall Street Journal e todas essas matérias que são publicadas dizendo que eu quero fazer um acordo. Eles é que estão implorando por um acordo. Não eu. Eles é que estão implorando por um acordo", disparou Trump, enfatizando sua posição de não ceder às pressões.
Proposta americana e rejeição iraniana
A tensão aumentou após a revelação, na terça-feira, de uma proposta do governo Trump com 15 pontos para um cessar-fogo. Transmitida pelo Paquistão como mediador, o plano incluía uma trégua inicial de trinta dias com condições rigorosas: restrições severas ao arsenal de mísseis balísticos iranianos, fim total no programa de enriquecimento de urânio e compartilhamento do controle do Estreito de Ormuz. Em contrapartida, as sanções contra o Irã seriam suspensas.
No entanto, os aiatolás iranianos declinaram a oferta, expondo suas próprias exigências: que os americanos deixem em paz milícias que financiam, como Hamas e Hezbollah, indenizem suas perdas e reafirmem a soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz. Um funcionário de alta patente do governo iraniano afirmou à agência Reuters, sob condição de anonimato, que a proposta americana é "unilateral e injusta".
Críticas à Otan e incertezas sobre o acordo
Trump também lançou um novo ataque contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) pela hesitação em responder aos seus apelos por ajuda militar no Oriente Médio. Ele comparou a situação com o acordo que Washington fez com a Venezuela após a queda de Nicolás Maduro, sugerindo que assumir o controle do petróleo iraniano era uma "opção" viável.
"Não sei se estamos dispostos a fazer isso. Eles deveriam ter feito isso há quatro semanas. Deveriam ter feito isso há dois anos", afirmou Trump, referindo-se às negociações. Ele ainda caracterizou os iranianos como "péssimos lutadores, mas ótimos negociadores", indicando uma complexa dinâmica de poder nas discussões.
O presidente americano rejeitou as notícias de que estaria buscando uma saída rápida para o conflito, mesmo diante da disparada dos preços do petróleo e do aumento da pressão política para evitar guerras prolongadas no Oriente Médio, um histórico que ele antes criticava. Suas declarações reforçam a incerteza sobre um acordo iminente, mantendo o mundo atento aos desdobramentos nesta região crítica.



