Governo Trump divulga novas imagens de ataque a alvos militares no Irã
O Irã protagoniza desde o fim de semana um tenso conflito com os Estados Unidos e Israel, que atacaram o território iraniano no sábado (28). As forças iranianas retrucaram e alvejaram países do Oriente Médio que têm bases militares norte-americanas, gerando o temor de uma guerra com um dos países mais complexos de toda a Ásia.
Contexto histórico e político do Irã
Atualmente uma teocracia xiita, o Irã, o país mais populoso do Oriente Médio, já foi ocupado pelo Reino Unido, pela extinta União Soviética e sofreu diversas mudanças de regime e até de nome: até 1935, se chamava Pérsia. O país virou Irã por um decreto do então governante, o xá Reza Pahlavi, que queria modernizar o país, recém saído de mais de 200 anos de dinastias e que atravessou séculos de impérios.
Embora seja governado por um regime muçulmano, a principal língua do Irã não é o árabe. O idioma oficial do país é o persa, nome também da principal etnia do país, com origem indo-europeia. Os persas são pouco mais da metade da população iraniana.
Sistema de governo teocrático
Na atual República Islâmica do Irã teocrática, o líder supremo — que até sábado era o aiatolá Ali Khamenei, morto pelo ataque dos EUA e Israel — é o chefe de Estado. E, embora o Irã tenha também um presidente, o líder supremo é a autoridade máxima nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além das Forças Armadas do país.
Esse sistema de governo gere o país desde a Revolução de 1979, quando manifestantes, liderados por aiatolás, derrubaram a monarquia do xá Mohammad Reza Pahlavi, estabelecendo a República Islâmica sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini. Desde então, o Irã é uma teocracia xiita, regime de governo no qual o poder é concentrado em líderes religiosos islâmicos.
Detalhes do conflito atual
Os bombardeios no Oriente Médio entram no terceiro dia, e os mortos no Irã já somam 555. O programa nuclear iraniano está no centro do confronto com os EUA, que alegam que o objetivo principal é destruir o programa nuclear iraniano, acusando o país de usar o enriquecimento de urânio com a intenção de fabricar armas nucleares — o que o regime nega.
O ataque ocorreu após semanas de conversas entre os dois países, mas que não trouxeram avanço nas negociações. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã rompeu sua relação diplomática com os EUA e foi sujeito a sanções econômicas por causa do seu programa nuclear. Enquanto isso, o Irã não reconhece o estado de Israel e apoia grupos como Hezbollah e Hamas em guerras por procuração.
Impacto no mercado de petróleo
O conflito coloca em risco uma rota vital do petróleo mundial. O Irã é o terceiro maior produtor da Opep e responde por cerca de 4,5% do fornecimento global de petróleo. Sua produção é estimada em 3,3 milhões de barris por dia, além de 1,3 milhão de barris de condensados e outros líquidos.
Segundo a Reuters, o conflito praticamente paralisou a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Com isso, os preços do petróleo subiram cerca de 13% e ultrapassaram US$ 82 por barril, o maior nível desde janeiro de 2025.
Após ataques a navios na região do Golfo, a Organização Marítima Internacional recomendou que empresas evitassem a área. O preço dos seguros disparou e grandes companhias confirmaram a suspensão de rotas pelo estreito. Embora países importadores mantenham estoques estratégicos, analistas não descartam que o barril supere os US$ 100.
Em resposta ao conflito, Arábia Saudita, Rússia e outros seis integrantes da Opep+ decidiram aumentar a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril, volume acima do inicialmente previsto.
Dados sobre o Irã
- Nome oficial: República Islâmica do Irã
- Capital: Teerã
- Idioma oficial: persa
- Religião: islamismo xiita jafari
- Sistema político: República Islâmica teocrática
- Moeda oficial: rial iraniano (IRR)
Revolução de 1979 e estrutura de poder
A Revolução Islâmica de 1979 foi a responsável pela queda do governo do xá Mohammad Reza Pahlavi, que reinou como monarca do Irã por mais de 37 anos, e pela ascensão do aiatolá Ruhollah Khomeini, que em 1979 retornou ao país após 15 anos de exílio. Ruhollah comandou o Irã como líder supremo entre 1979 e 1989. Depois de sua morte, quem assumiu foi o aiatolá Ali Khamenei, morto pelos EUA em um ataque no sábado (28).
A revolução islâmica foi motivada por uma revolta popular contra o regime autoritário do xá, impulsionada por repressão política, corrupção, desigualdades econômicas, ocidentalização forçada e oposição do clero xiita.
Uma vez que é uma república teocrática, o sistema político do Irã combina eleições populares com controle clerical, onde o Líder Supremo detém a autoridade máxima. No topo está o Líder Supremo, que exerce poder sobre política externa, forças armadas, judiciário, mídia estatal e nomeia chefes-chave; abaixo está o presidente eleito, que gerencia o executivo diário, mas sob aprovação do Líder; o Parlamento legisla, sujeito a veto do Líder; e forças como a Guarda Revolucionária respondem diretamente ao Líder.
O Irã anunciou Alireza Arafi como líder supremo interino, que comandará o processo para substituir Khamenei. O presidente é Masoud Pezeshkian, eleito em 2024, responsável por políticas econômicas e internas, mas com poderes limitados pelo Líder Supremo e pelo Conselho dos Guardiães.



