Netanyahu ordena expansão da ofensiva militar no sul do Líbano
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou neste domingo, 29 de março de 2026, uma ordem para expandir a ofensiva militar de Israel no sul do Líbano. Em um comunicado em vídeo divulgado a partir do Comando Norte, Netanyahu afirmou ter instruído as forças armadas a ampliarem ainda mais a chamada "zona de segurança" na fronteira norte do país.
"Acabo de instruir a ampliação adicional da atual zona de segurança. Estamos determinados a mudar fundamentalmente a situação no norte", declarou o líder israelense, prometendo "mudar de forma fundamental a situação de segurança na região." A decisão tem como objetivo reforçar a segurança de Israel em meio às crescentes tensões na área, onde confrontos entre as partes aumentam o risco de uma escalada mais ampla do conflito.
Irã acusa Estados Unidos de preparar ataque terrestre
Enquanto Israel intensifica suas operações no Líbano, o Irã fez uma declaração contundente neste mesmo domingo. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Ghalibaf, afirmou que o país está pronto para reagir a um possível ataque terrestre dos Estados Unidos. Ele acusou Washington de enviar sinais de diálogo publicamente, mas estaria, nos bastidores, planejando o envio de tropas para uma ofensiva por terra.
"Enquanto os norte-americanos exigirem a rendição do Irã, nossa resposta é que jamais aceitaremos a humilhação", disse Ghalibaf. "Nossos ataques continuam. Nossos mísseis estão posicionados. Nossa determinação e fé aumentaram", acrescentou, em um tom de desafio que reflete a postura firme de Teerã.
Conflito completa um mês com ataques contínuos e riscos globais
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã começou em 28 de fevereiro de 2026 e já dura um mês, deixando milhares de mortos e espalhando-se pelo Oriente Médio. No sábado, 28 de março, os houthis do Iêmen, aliados do Irã, realizaram seus primeiros ataques contra Israel desde o início do conflito, aumentando os riscos para o transporte marítimo global.
O fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural consumidos no mundo, tem sido uma das principais preocupações. Especialistas alertam que uma escalada nos ataques pode pressionar ainda mais a economia global, com impactos significativos no comércio internacional.
Diplomacia em ação: Paquistão sedia negociações
Em meio aos combates, esforços diplomáticos buscam encontrar uma solução para o conflito. Ministros das Relações Exteriores de Paquistão, Arábia Saudita, Turquia e Egito se reuniram neste domingo em Islamabad para discutir formas de encerrar a guerra. As primeiras discussões concentraram-se em propostas para reabrir o Estreito de Ormuz, incluindo:
- Criação de um sistema de tarifas inspirado no modelo do Canal de Suez
- Formação de um consórcio internacional para administrar o fluxo de petróleo pela rota
O Paquistão tem atuado como mediador entre Washington e Teerã, mantendo relações próximas com ambos os lados. A Turquia também trabalha em uma proposta para reabrir o estreito, medida considerada essencial para reduzir as tensões regionais.
Ataques recentes e movimentações militares
Enquanto as negociações avançam lentamente, os combates seguem intensos em várias frentes:
- Israel: A empresa Adama informou que sua unidade Makhteshim, no sul de Israel, foi atingida por um míssil iraniano ou por destroços, sem registro de feridos.
- Kuwait: O Exército do Kuwait, aliado dos EUA, relatou que 10 militares ficaram feridos após um ataque com míssil a uma base militar.
- Irã: A mídia estatal iraniana informou que cinco pessoas morreram após um ataque a um cais na cidade de Bandar-e-Khamir.
- Líbano: Israel realizou ataques contra alvos ligados ao Hezbollah, resultando na morte de três jornalistas e um soldado libanês.
Os Estados Unidos enviaram milhares de fuzileiros navais ao Oriente Médio, com o primeiro contingente chegando na sexta-feira, 27 de março. O Washington Post informou que o Pentágono se prepara para operações terrestres no Irã, embora não haja confirmação de que o presidente Donald Trump autorizará esse plano.
Propostas de cessar-fogo e rejeição iraniana
Os Estados Unidos apresentaram recentemente um plano de cessar-fogo com 15 pontos, que incluía a reabertura do Estreito de Ormuz e limites ao programa nuclear iraniano. No entanto, o Irã rejeitou a proposta e apresentou suas próprias condições, mantendo uma postura intransigente nas negociações.
O presidente Donald Trump ameaçou atingir instalações energéticas iranianas caso o país não reabra o estreito, mas concedeu um prazo adicional de 10 dias para uma resolução diplomática. Enquanto isso, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que os EUA podem atingir seus objetivos sem tropas em solo, mas reconheceu que o envio de forças amplia as opções do governo.
A situação permanece volátil, com a combinação de ações militares agressivas e tentativas de mediação internacional criando um cenário complexo e imprevisível para o futuro do Oriente Médio.



