Milhares desafiam bombardeios em Teerã para funeral de comandantes mortos em ataques
Milhares em funeral de comandantes em Teerã sob bombardeios

Milhares desafiam bombardeios em Teerã para funeral de comandantes mortos em ataques

Milhares de pessoas desafiaram os bombardeios contínuos em Teerã nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, para participar do funeral de autoridades militares e civis que morreram em ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. A cerimônia, realizada na Praça Enghelab, na capital iraniana, foi descrita como a maior concentração pública na cidade desde o início do conflito em curso.

Cerimônia sob forte segurança e simbolismo

A reunião maciça na Praça Enghelab contrastava fortemente com as avenidas vazias nas áreas vizinhas, evidenciando o risco enfrentado pelos participantes. A cerimônia foi conduzida sob fortes medidas de segurança, com a proteção de forças especiais iranianas. Entre os presentes, um oficial foi visto usando um lenço preto que exibia a imagem do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã que faleceu no primeiro dia da guerra, após 36 anos no poder.

Os caminhões que transportavam os caixões e seu séquito formaram uma procissão solene pelo centro de Teerã, em um ato de luto coletivo. Um jornalista da Agence France-Presse (AFP) observou um pequeno caixão com a fotografia de um bebê de apenas dois meses, vítima dos recentes ataques, destacando o custo humano do conflito.

Vítimas notáveis e manifestações de apoio

Entre os mortos em ataques simultâneos estavam figuras de alto escalão do establishment militar e de segurança iraniano. As vítimas incluíram:

  • Abdolrahim Moussavi, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.
  • Mohammad Pakpour, comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).
  • Aziz Nassirzadeh, Ministro da Defesa.
  • Ali Shamkhani, assessor de segurança.

Na multidão, mulheres vestiam chadores pretos e carregavam bandeiras e flores, enquanto adolescentes exibiam fotos de Ali Khamenei e de seu sucessor, Mojtaba Khamenei. Mojtaba foi ferido no mesmo ataque que matou seu pai, sua esposa e sua mãe, adicionando uma dimensão pessoal e familiar à tragédia.

Contexto de tensão e retaliação

O funeral ocorreu em um momento de elevada tensão regional. No mesmo dia, o Irã anunciou que atacou navios no Estreito de Ormuz e afirmou estar preparado para uma guerra longa, que, segundo suas declarações, "destruirá" a economia mundial. Esta postura agressiva reflete a escalada do conflito e a determinação iraniana em responder aos ataques sofridos.

Paralelamente, uma investigação citada por um jornal indicou que os Estados Unidos teriam confundido uma escola com uma base militar, sendo responsabilizados por um ataque que resultou em mais de 150 mortes no Irã, incluindo crianças. Este incidente, juntamente com a foto viral de um menino acenando para a mãe antes de morrer em um ataque a uma escola, tem ampliado a comoção internacional e a crítica às ações militares.

A cerimônia fúnebre em Teerã não apenas homenageou os falecidos, mas também serviu como uma demonstração de resistência e unidade nacional em face da adversidade, marcando um capítulo sombrio na guerra em curso.