Líbano estabelece cessar-fogo como condição obrigatória para diálogo de paz com Israel
O Líbano declarou que irá impor a Israel um cessar-fogo imediato na guerra contra o grupo Hezbollah como uma condição fundamental para iniciar negociações visando um acordo de paz mais amplo entre os dois países. A informação foi confirmada por uma autoridade libanesa de alto escalão à agência de notícias Reuters nesta sexta-feira (10).
Reunião em Washington marcada para discutir trégua
A mesma fonte revelou que uma delegação oficial do Líbano pretende participar de um encontro diplomático na próxima semana em Washington D.C., nos Estados Unidos. A reunião contará com representantes do governo americano e de Israel com o objetivo principal de discutir e anunciar formalmente um cessar-fogo entre as partes em conflito.
A data exata deste encontro ainda não foi confirmada oficialmente por nenhum dos envolvidos até o fechamento desta reportagem, mas a expectativa é que ocorra dentro dos próximos dias.
Posição libanesa é clara sobre pré-condições
O funcionário libanês deixou claro que a posição oficial de seu governo é inequívoca: um cessar-fogo total deve ser estabelecido como condição prévia obrigatória para qualquer nova rodada de negociações diplomáticas. Somente após a implementação desta trégua é que se poderá avançar rumo a um acordo de paz mais abrangente com Israel.
Nos últimos dias, o governo libanês tem defendido publicamente a necessidade de um cessar-fogo temporário que permita a realização de negociações mais amplas e substantivas. Segundo a autoridade ouvida pela Reuters, esta proposta segue um modelo similar à frágil trégua de 20 dias que foi intermediada pelo Paquistão entre Estados Unidos e Irã recentemente.
Papel dos Estados Unidos como mediador essencial
Embora ainda não exista data ou local definitivos para as conversas, o funcionário libanês enfatizou que seu país considera os Estados Unidos como mediador indispensável e garantidor de qualquer acordo futuro que venha a ser estabelecido. A inclusão americana no processo é vista como crucial para o sucesso das negociações.
O site americano Axios reportou que o primeiro encontro direto entre governos israelense e libanês ocorrerá no Departamento de Estado dos EUA, em Washington, e está programado para acontecer na próxima semana.
Inclusão do Líbano no cessar-fogo gera controvérsia internacional
O ataque massivo de Israel ao território libanês ocorreu poucas horas após o anúncio de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã na terça-feira (7). Paquistão e Irã acusaram Israel de ter violado claramente os termos do acordo, argumentando que o Líbano estava incluído na trégua anunciada.
Em posição diametralmente oposta, Israel e os Estados Unidos defendem que o Líbano não fazia parte deste acordo específico. Em entrevista à PBS, a rede de televisão pública americana, na quarta-feira, o ex-presidente Donald Trump afirmou categoricamente que "eles (Líbano) não estão incluídos no acordo" de cessar-fogo.
Trump justificou: "Por causa do Hezbollah. Eles não foram incluídos no acordo também". A CNN Internacional reportou ainda que, segundo a porta-voz da Casa Branca Karoline Leavitt, em conversa com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, Trump não se opôs a que Israel continuasse seus ataques ao Líbano.
Este impasse sobre a inclusão ou não do Líbano no cessar-fogo original representa atualmente o maior obstáculo diplomático para o estabelecimento de uma trégua duradoura no conflito do Oriente Médio, complicando significativamente as perspectivas de negociações de paz.



