Israel aceita negociar acordo de paz histórico com Líbano
No segundo dia de um frágil cessar-fogo com o Irã, Israel retomou os ataques a alvos do grupo Hezbollah no território libanês, enquanto simultaneamente anunciou, sob intensa pressão americana, que iniciará negociações diretas de paz com o governo do Líbano. O dia começou com uma trégua extremamente delicada, que rapidamente se mostrou insustentável diante da escalada de violência.
Ataques continuam apesar do cessar-fogo
Mesmo após o devastador ataque de quarta-feira (8) – considerado o mais violento desde o início do conflito, com mais de 300 vítimas fatais –, os mísseis israelenses persistiram em atingir alvos libaneses durante todo o dia e noite. O ministro da Defesa de Israel afirmou categoricamente que mais de 200 integrantes do Hezbollah foram eliminados em apenas 24 horas, declarando que o grupo está significativamente enfraquecido militarmente.
Em resposta imediata, o Hezbollah lançou uma série de foguetes contra um kibutz próximo à fronteira, demonstrando que a capacidade de retaliação permanece ativa. Esta troca de ataques ocorreu mesmo com o cessar-fogo tecnicamente em vigor, evidenciando a extrema volatilidade da situação na região.
Ultimato iraniano e pressão internacional
Uma nova dimensão de crise surgiu quando o Irã emitiu uma espécie de ultimato, anunciando o fechamento do Estreito de Ormuz caso Israel não interrompesse imediatamente os ataques ao Líbano. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou publicamente que as ações israelenses constituem uma violação flagrante do cessar-fogo e podem comprometer seriamente todo o processo de negociação em andamento.
O anúncio israelense sobre as negociações com o Líbano não demorou a chegar. Em pronunciamento oficial, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu estabeleceu dois objetivos claros para as conversas: desarmar completamente o Hezbollah e fechar um acordo de paz histórico e duradouro com o governo libanês. O primeiro encontro diplomático está marcado para a próxima semana em Washington, capital dos Estados Unidos.
Apelos globais por paz imediata
Foram numerosos os apelos internacionais para que o cessar-fogo fosse estendido ao território libanês. Ministros de Relações Exteriores de países mediterrâneos, reunidos em conferência na Croácia, emitiram declaração conjunta exigindo que a violência no Oriente Médio cesse imediatamente. Simultaneamente, em Teerã, um comunicado do líder supremo foi lido na televisão estatal.
Mojtaba Khamenei, que não aparece publicamente desde o início do conflito, afirmou na mensagem que o Irã buscará retribuição contra os ataques e jurou vingar a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei. Sem fornecer detalhes específicos, o novo líder também anunciou que o controle sobre o Estreito de Ormuz entrará em "uma nova fase operacional", enquanto o governo iraniano afirmou que a passagem marítima permanece aberta, porém sob rigoroso controle militar.
Preocupações econômicas e declarações de Trump
Na Europa, os índices econômicos começam a preocupar seriamente os governos, com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, defendendo como prioridade máxima a restauração da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e a normalização dos mercados de energia e produtos essenciais.
Na noite de quinta-feira (9), o ex-presidente americano Donald Trump fez duas postagens consecutivas em sua rede social, primeiro alertando sobre "relatórios de que o Irã está cobrando pedágio de navios" na região estratégica, e depois acusando diretamente o governo iraniano de não cumprir os acordos que garantem a passagem de navios petroleiros pelo estreito. Estas declarações adicionam uma camada extra de complexidade às já delicadas negociações regionais.



