Irã reabre Estreito de Ormuz durante cessar-fogo com Estados Unidos
O governo do Irã anunciou nesta sexta-feira, 17, a reabertura total do Estreito de Ormuz para todas as embarcações enquanto durar o cessar-fogo com os Estados Unidos. A medida representa um importante avanço nas tensões entre os dois países, que tinham no bloqueio dessa via marítima um dos principais impasses nas negociações.
Anúncio oficial e impacto imediato no mercado
Segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, a passagem para todos os navios comerciais pelo estreito foi declarada completamente aberta pelo período restante da trégua, que expira na quarta-feira, 22. "De acordo com o cessar-fogo no Líbano, a passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã", declarou Araghchi.
O anúncio teve um impacto imediato e significativo: o preço do petróleo despencou nos mercados internacionais. Isso ocorre porque o Estreito de Ormuz é uma das principais vias marítimas para o comércio global de petróleo, responsável pela circulação de cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo. A interrupção do transporte nas últimas semanas havia feito os preços da commodity dispararem.
Contexto geopolítico e reações internacionais
A reabertura do estreito era uma das principais reivindicações dos Estados Unidos nas negociações, sendo vista como o primeiro grande aceno do Irã a um acordo pelo fim da guerra. O presidente norte-americano, Donald Trump, agradeceu ao Irã pela medida, mas manteve firme a posição dos EUA.
"O estreito está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego", afirmou Trump em uma postagem na rede Truth Social. No entanto, ele deixou claro que o bloqueio naval que os EUA fazem na saída do estreito—já no Golfo de Omã e no Mar Arábico—seguirá em vigor até que as negociações estejam "100% concluídas". Trump também mencionou que "provavelmente" haverá uma nova rodada de negociações entre os dois lados neste fim de semana.
Retomada do transporte e questões de segurança
Dados do site de monitoramento do transporte marítimo Kpler já mostravam que a circulação pelo estreito havia sido retomada antes do anúncio oficial. Três petroleiros iranianos deixaram o Golfo do Irã, transportando 5 milhões de barris de petróleo bruto—os primeiros carregamentos desse tipo desde o bloqueio dos EUA aos portos iranianos na segunda-feira, 13.
No entanto, questões de segurança permanecem. Durante o conflito, o Irã implementou minas navais no estreito como retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel. Trump afirmou que os EUA "estão trabalhando com o Irã para retirar as minas", mas o próprio governo iraniano já havia dito não saber ao certo a localização de todas elas.
A Marinha norte-americana emitiu um comunicado alertando que a "ameaça representada por minas em partes do Estreito de Ormuz não é totalmente compreendida" e recomendou que os navios evitem áreas de risco, seguindo apenas as rotas seguras indicadas pela Organização dos Portos iraniana.
Importância estratégica do Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima crucial localizada entre os territórios do Omã e do Irã, com largura que não ultrapassa os 35 quilômetros em alguns trechos. Sua localização geográfica facilita o controle por parte dos dois países, sendo que o Irã detém a maior parte do território que margeia o estreito.
Desde o início da atual guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, o Irã havia fechado a passagem, ameaçando atacar qualquer navio que cruzasse o estreito e chegando a disparar contra algumas embarcações. A reabertura, mesmo que temporária, traz alívio ao comércio global e sinaliza possíveis avanços diplomáticos.



