Irã fecha Estreito de Ormuz e ameaça romper cessar-fogo após ataques de Israel ao Líbano
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, denunciou nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, as violações do cessar-fogo por parte de Israel durante uma conversa telefônica com o marechal Asim Munir, comandante das Forças Armadas do Paquistão. O Paquistão foi o mediador da frágil trégua entre Estados Unidos e Irã, conforme comunicado do ministério iraniano.
Ambições contraditórias e ameaças marítimas
Segundo agências estatais iranianas, o Irã pode romper o cessar-fogo com Estados Unidos e Israel se o Exército israelense não parar de bombardear o Líbano. Uma fonte da agência de notícias Fars afirmou que "a cessação da guerra em todas as frentes, inclusive contra a heroica resistência islâmica no Líbano, foi aceita pelos Estados Unidos no plano de cessar-fogo de duas semanas, mas o regime sionista realizou ataques brutais contra o Líbano desde esta manhã, em clara violação do cessar-fogo".
Em resposta às violações, Teerã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz para travessias de navios comerciais. Diversas embarcações no Golfo Pérsico receberam mensagens da Marinha iraniana informando que a passagem permanecia fechada, com ameaças de destruição para quem tentasse atravessar sem permissão. A mensagem dizia: "Qualquer embarcação que tentar navegar para o mar... será alvejada e destruída...".
Operações militares e tensões no Líbano
O Exército de Israel realizou novos ataques no sul do Líbano nesta quarta-feira e afirmou que suas operações militares contra a milícia pró-Irã Hezbollah continuarão, apesar do anúncio de cessar-fogo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Um porta-voz militar israelense declarou que o Exército "continuará suas operações" contra o Hezbollah e emitiu novos alertas para evacuação em massa.
Após o aviso, um ataque aéreo em Sidon, no sul do Líbano, deixou oito mortos e 22 feridos, segundo o Ministério da Saúde local. O Líbano foi arrastado para a guerra que abala o Oriente Médio há mais de cinco semanas, após o Hezbollah abrir fogo contra Israel em 2 de março, numa retaliação à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei.
Consequências humanitárias e declarações oficiais
Desde o início da guerra, pelo menos 1.530 pessoas morreram no Líbano, incluindo 130 crianças, e milhares ficaram feridas. Mais de 1 milhão foram obrigadas a fugir de casa devido aos bombardeios. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que as forças militares de seu país tomarão o sul do Líbano após concluírem a guerra contra o Hezbollah, impedindo o retorno de centenas de milhares de deslocados.
As ordens de retirada emitidas pelo Exército israelense já cobrem ao menos 15% do território libanês. Enquanto isso, o Paquistão afirmou que o Líbano fazia parte do acordo de cessar-fogo, mas o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfatizou que o acordo exclui o território libanês, criando uma situação de incerteza e tensão crescente.



