Irã fecha Estreito de Ormuz após EUA manterem bloqueio naval e ameaçam petróleo global
Irã fecha Estreito de Ormuz após bloqueio naval dos EUA

Irã fecha Estreito de Ormuz após EUA manterem bloqueio naval e ameaçam petróleo global

O Irã afirmou neste sábado, 18 de abril de 2026, que voltou a fechar o Estreito de Ormuz, uma decisão tomada pelo Exército iraniano em resposta à manutenção do bloqueio naval pelos Estados Unidos na rota marítima estratégica. Esta ação reverte a reabertura do estreito ocorrida na sexta-feira, 17 de abril, que havia sido uma consequência do cessar-fogo no Líbano, acalmando temporariamente os mercados internacionais.

Decisão militar e ameaças de Teerã

O comando central militar do Irã declarou que retomaria a "gestão rigorosa" do Estreito de Ormuz, anulando uma decisão anterior de liberar a passagem como parte das negociações com os Estados Unidos. Em um comunicado divulgado pela televisão estatal, as autoridades militares acusaram Washington de não cumprir uma promessa, ao continuar o bloqueio a navios que navegam em direção e a partir dos portos iranianos.

O comunicado enfatizou que, enquanto as forças dos Estados Unidos não restaurarem a liberdade de movimentação para todos os navios que visitam o Irã, "a situação no Estreito de Ormuz continuará sob controle rigoroso". Adicionalmente, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu na rede social X que "se o bloqueio continuar, o Estreito de Ormuz não vai permanecer aberto", ressaltando que o trânsito por essa via marítima dependeria de autorização da República Islâmica.

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Contexto do conflito e reações internacionais

A guerra no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro de 2026, com ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que respondeu com lançamentos de mísseis e drones no Golfo e o fechamento inicial do Estreito de Ormuz. A reabertura na sexta-feira trouxe alívio aos mercados, mas a nova decisão do Irã reacendeu as tensões.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, declarou que "um bloqueio naval é uma violação do cessar-fogo" e prometeu uma resposta apropriada. Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma entrevista telefônica com a AFP, assegurou que não havia "pontos conflitivos" para concluir um acordo de paz, e mencionou que o Irã havia concordado em entregar seu urânio enriquecido, uma questão-chave nas negociações.

No entanto, o Irã negou que seu urânio enriquecido seria removido, e Trump, em um discurso para apoiadores, brincou sobre recuperá-lo "entrando no Irã, com muitas escavadeiras". As notas conflitantes surgiram em um dia que Trump classificou como "GRANDE E BRILHANTE", com elogios ao Paquistão como mediador e aos aliados do Golfo.

Impacto nos mercados e cenário regional

O fechamento do Estreito de Ormuz ameaça diretamente o fluxo de aproximadamente um quinto da produção global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), o que já fez os preços do petróleo dispararem nas últimas semanas. A reabertura temporária na sexta-feira levou a uma queda nas cotações, mas a nova medida iraniana pode reverter essa tendência.

Os Estados Unidos emitiram uma isenção permitindo a venda de petróleo russo e derivados já carregados em navios, uma ação que pressiona os preços para baixo enquanto o abastecimento é retomado. O cessar-fogo no Líbano e a reabertura inicial do estreito marcaram um avanço nas negociações, mas a persistência do bloqueio naval complica o cenário.

No Líbano, famílias deslocadas buscam retornar a seus lares no sul de Beirute durante a trégua, com sentimentos de orgulho e vitória expressos por civis como Amani Atrash, de 37 anos. Trump afirmou que Washington "proibiu" Israel de continuar ataques, dizendo "É suficiente", e prometeu trabalhar com o Líbano para lidar com o Hezbollah.

Tensões contínuas e perspectivas futuras

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ressaltou que a ofensiva contra o Hezbollah não terminou, mencionando planos para lidar com ameaças de foguetes e drones. O Líbano, por sua vez, está trabalhando em "um acordo permanente" com Israel, segundo o presidente Joseph Aoun, descrevendo uma fase de transição para proteger os direitos de seu povo.

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Os termos do cessar-fogo incluem que Israel mantenha o direito de mirar o Hezbollah para evitar ataques e estabeleça uma zona de segurança de 10 km na fronteira. Em resposta, o grupo islamista advertiu que está com o "dedo no gatilho" caso Israel viole a trégua. A situação permanece volátil, com o Irã insistindo na inclusão dos enfrentamentos no Líbano nas negociações e ameaçando fechar novamente o estreito se navios de guerra americanos interceptarem embarcações iranianas.

Este impasse destaca a fragilidade da paz regional e o impacto global das decisões geopolíticas no abastecimento de energia e na estabilidade econômica.